“Esperar com esperança que liberta”

1º Domingo do Advento – Ano A Iniciamos o novo ano litúrgico com o Advento. Advento, de “Advenire”, “Adventus”, fala-nos de vinda, de retorno. É um tempo carregado de espiritualidade, onde a mística do encontro coroa o esforço sus-tentado na esperança. Esperamos o retorno de Deus e preparamos laboriosamente o encontro com Ele. A liturgia deste primeiro domingo faz-nos um apelo à vigilância. O cristão e a cristã não devem andar distraídos na vida e instalar-se no comodismo, na passividade ou na rotina. Devem, ao contrário, caminhar sempre atentos e vigilantes, preparados para acolher o Senhor que vem e para responder aos desafios que nos lança.

A primeira leitura dirige-se às pessoas de todos os povos e nações, convidando-as a subir ao cimo da montanha onde habita o Senhor… É deste encontro com o Senhor e com a sua Palavra que nascerá um mundo de harmonia e de paz duradoura. O sonho do profeta começa a realizar-se em Jesus. Ele é a Palavra viva e eficaz, que se fez carne e veio habitar no meio de nós, a fim de trazer a “paz aos homens” amados por Deus. Se, por um lado, o processo da edificação de um povo pacificado e unido parte da iniciativa divina, por outro lado, cada um de nós é chamado a colaborar com esta iniciativa divina. Para isso, havemos de escutar a sua proposta, acolhê-la no coração e na vida e “subir à montanha de Deus”. Estamos nós dispostos a ir ao seu encontro, escutar a sua Palavra e aderir à sua proposta? Que posso eu fazer neste Advento para que o sonho de Isaías, o sonho de todos os homens e mulheres de boa vontade, se concretize?

A terceira leitura convida-nos à vigilância. O cristão e a cristã ideal não vivem mergulhados no bem-estar alienante, nem afogados no trabalho excessivo, nem adormecidos numa passividade que lhes rouba as oportunidades, mas estão atentos e vigilantes, acolhendo o Senhor que passa, respondendo aos seus desafios, cumprindo a sua missão, empenhando-se na construção do “Reino”. Para isso, havemos de aprender a “ler” os sinais de Deus presentes na nossa histó-ria pessoal e colectiva. O cristão e a cristã haveriam de perguntar-se, diariamente: “Senhor, que me dizes a mim e que dizes à comunidade ou à humanidade, através deste acontecimento?” É que há sempre um apelo, uma interpelação, um rasgar caminho, que se esconde atrás dos sinais que vemos e que nos concernem, agradável ou desagradavelmente. O cristão e a cristã têm de ser profetas de olhos rasgados, a olhar o longe e o distante, porque Deus caminha à nossa frente, na travessia do nosso deserto. No fundo, o que está em jogo no evangelho é o apelo à nossa conversão pessoal e à conversão das estruturas sociais, que muitas vezes geram mais miséria e mais discórdia entre os povos e nações, do que resolvem situações deficientes. Neste momento preciso, somos convidados a abandonar a cegueira espiritual que nos tolhe e a entrar, firmemente, no caminho da luz… A conversão comporta uma profunda transformação dos corações e das estruturas… O que é que em mim é necessário transformar com urgência? O que é que na comunidade cristã é menos “luminoso” e necessita de conversão? Quais são, na sociedade, as estruturas responsáveis pelas “trevas” que envolvem a vida de tantas pessoas? Como me posso eu empenhar na conversão destas estruturas?

A segunda leitura exorta os cristãos e as cristãs a que despertem da sonolência que os mantém presos ao mundo das trevas, isto é, ao egoísmo, à injustiça, à mentira, enfim, ao pecado, e que se revistam da luz, isto é, da vida de Deus, que Cristo nos oferece, e que caminhem com alegria e esperança ao encontro de Jesus. “O Senhor vem! A noite vai adiantada e o dia está próximo”, diz Paulo. Deus continua a vir ao nosso encontro e a construir connosco o mundo novo de justiça e de paz. Por muito que nos aflija-mos com as trevas que envolvem o mundo actual, a presença de Deus garante-nos que a injustiça, a exploração, a morte não têm a última palavra. Esta vem de Deus e é uma Palavra libertadora e salvadora. Que contributo posso dar para apressar esta Palavra?

Leituras do 1º Domingo do Advento – Ano A

Is 2,1–53; Sl 122 (121);Rm 13,11–14; Mt 24, 37–44