São precisos católicos que vivam na procura da perfeição
pela caridade
Quando, no século XIII, S. Francisco de Assis recordou aos cristãos a necessidade de manterem vivo o espírito evangélico de pobreza e humildade, longe estaria de pensar, talvez, que tantos anos depois o seu exemplo permaneceria actual. De tal maneira assim é, que a conceituada revista americana “Times” o considerou a primeira figura do segundo milénio. Entretanto, por todo o mundo se mantém viva a Família Franciscana, congregando gentes de todos os quadrantes, idades e condições sociais.
Em Aveiro, a Fraternidade Franciscana Secular, também conhecida por Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, nasceu em 1667 e, depois de algum tempo em que se manteve adormecida, ressurgiu como Obra Franciscana Secular (OFS).
Os primeiros passos, nesta fase, foram dados a pedido do pároco da Glória-Sé, padre João Gonçalves, com a ajuda de franciscanos de Coimbra, em 1991. Quatro anos depois, em 1995, Virgínia Loureiro assumiu responsabilidades como Irmã Ministra, cargo que deixou recentemente, para se dedicar à preparação de novos e actuais Irmãos e Irmãs, como Mestra Geral de Formação. E foi com ela que o Correio do Vouga trocou impressões, numa perspectiva de alertar os crentes para a necessidade de se deixarem envolver pelo espírito franciscano.
No fundo, a OFS tem por missão principal contribuir para que os católicos se deixem contagiar e vivam na procura da perfeição pela caridade, designadamente nas realidades temporais, à maneira de S. Francisco e na alegria do seu encontro com Cristo. Segundo Virgínia Loureiro, importa que os Irmãos e Irmãs daquela organização, que faz parte da Família Franciscana, procurem alimentar a sua fé através dos ensinamentos evangélicos, em perfeita sintonia com o pároco e com o bispo diocesano, integrando-se nos diversos serviços eclesiais.
Neste momento, há, em Aveiro, 64 Irmãos professos, homens e mulheres, com mais de 20 anos de idade, todos eles envolvidos nas mais variadas actividades paroquiais, segundo os seus carismas, conforme nos referiu a Mestra Geral. Há catequistas, ministros extraordinários da comunhão e visitadores de doentes, outros acolhem e apoiam os mais pobres, participam com empenho no culto e ajudam mães solteiras em dificuldades, encaminhando-as para instituições que as possam auxiliar de forma mais especializada. Para este sector, há uma equipa na OFS mais vocacionada para o atendimento.
A Família Franciscana, como nos referiu Virgínia Loureiro, tem na Glória a JUFRA (Juventude Franciscana), com jovens dos 14 aos 30 anos, preparada para a formação específica desta faixa etária, havendo, ainda, os Arautos de S. Francisco, para os que têm entre nove e 14 anos, que desenvolvem actividades próprias dessas idades, sempre envolvidos pelo espírito franciscano, de caridade e de humildade.
De acordo com os estatutos e regulamentos da OFS, os franciscanos dão especial importância à oração litúrgica, nomeadamente participando na Eucaristia e na Reconciliação, enquanto dedicam uma cuidada atenção aos irmãos mais necessitados, quer material quer espiritualmente, independentemente das suas opções religiosas ou ideológicas. Privilegiam, no entanto, os doentes, os mais pobres e os excluídos da sociedade.
Virgínia Loureiro ainda adiantou que na OFS há uma preocupação muito grande de ajudar famílias inteiras a tornarem-se franciscanas para que, pelo seu exemplo do dia-a-dia, possam ajudar outras a seguir o testemunho de S. Francisco de Assis, na ajuda fraterna, no compromisso apostólico e na construção de comunidades mais humanas, porque mais cristãs.
As paróquias interessadas em alargar a Família Franciscana podem contar com a OFS da Glória, que está disponível para dar uma ajuda.
