Espiritualidade de comunhão na compreensão da mensagem

Revisitando o Vaticano II A Igreja há-de ser casa e escola de comunhão e precisa de instaurar essa espiritualidade, também no aprofundamento, conservação, exercício e profissão da fé transmitida. “A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da Palavra de Deus, confiado à Igreja; aderindo a ele, todo o povo santo, unido aos seus pastores, persevera continuamente na doutrina dos Apóstolos e na comunhão, na fracção do pão e na oração, de tal maneira que haja uma especial colaboração entre pastores e fiéis na conservação, exercício e profissão da fé transmitida.” – Dei Verbum 10.

Temos presente que dois ilustres teólogos conciliares – Lubac e Congar – passaram dificuldades pela sua reflexão teológica. O primeiro foi mesmo silenciado durante vários anos – bendito silêncio, que o levou escrever as suas páginas mais importantes, “Méditations sur l’Église”! E ambos foram nomeados Cardeais pelo Papa Karol Wojtyla. Uma espiritualidade efectiva de comunhão teria superado essa, como muitas tensões vividas ao longo da história da Igreja.

A Igreja, no decurso dos tempos, tende para a plenitude da verdade divina. Com o Espírito Santo como artífice primordial, a Tradição apostólica cresce na Igreja. Por uma diversidade de dons e de responsabilidades, o Espírito Santo anima toda a Igreja nesta tarefa de crescer para a Verdade, de anunciar a Verdade, move interiormente todos os corações para essa Verdade. Demos-Lhe a atenção devida! Procuremos no serviço de cada um o contributo necessário. Só em profunda espiritualidade de comunhão cumpriremos a missão.

“Com efeito, tanto a compreensão das coisas como das palavras transmitidas, cresce, quer pela reflexão e estudo dos crentes, que as meditam no seu coração, quer pela íntima compreensão que experimentam das coisas espirituais, quer pela pregação daqueles que, com a sucessão do Episcopado, receberam o carisma seguro da verdade.” – DV 8.

A reflexão e o sentir da fé dos crentes, como a Teologia, que se apoia, como em perene fundamento, na Palavra Escrita e na Tradição, nelas se rejuvenescendo sem cessar, em busca de toda a verdade contida no mistério de Cristo, são um contributo indispensável ao Magistério (Cf. DV 24), que não está acima da Palavra de Deus, mas ao seu serviço, para que opere o seu carisma de discernimento, fazendo a interpretação autêntica (Cf. DV 10) de todo este labor da Igreja. A espiritualidade de comunhão nos move a sermos activos, humildes, cooperantes.

Querubim Silva