Dois suecos, “gurus empresariais”, desbravam a loucura empresarial que afecta toda a sociedade.
Apresenta-se como um livro de gestão, mas é muito mais do que isso. É um livro sobre a sociedade em que vivemos. Sobre os tempos frenéticos do mundo actual. Sobre as mudanças supersónicas nas organizações, a começar pela empresa, mas também nas igrejas, na família, nos clubes, nas escolas. Sobre o individualismo, a inovação, a informação, a comunicação, o talento. Sobre o poder, o trabalho, a riqueza, a sa-bedoria. “Gestão para a Humanidade”, dizem em subtítulo os autores, os suecos Jonas Ridderstrale e Kjell A Nordstrom.
Aqui ficamos a saber que é “sábio aquele que sabe coisas úteis e não aquele que sabe muitas coisas”; que, “se toda a gente pensa da mesma forma, então alguém não está a pensar”; que “os valores são magnéticos, os valores atraem”; que os jovens de hoje são a Geração I (jovem tribo Internacional, Informada, Informal, Impaciente, Intensa e Individualista); que há empresas que pagam aos seus funcionários de onze formas diferentes, consoante a vontade dos empregados (salário fixo, “stock options”, comissões, esquemas de compensas, etc.); que há vinte modos de se engravidar; que no Reino Unido votaram mais pes-soas para o último episódio do programa televisivo ‘Survivor’ do que nas eleições para o Parlamento Europeu; que as igrejas cristãs de Singapura enviam mensagens para os telemóveis dos seus fiéis (as mensagens dizem: “Até Eu descansei ao 7º dia. Deus” ou “Queres vir a minha casa hoje? Deus”); que Moisés – sim, o da Bíblia – consultou Jetro, “o primeiro consultor de gestão do mundo”, sobre como organizar os israelitas. Foi um “inovador organizacional”. “Moisés escolheu homens capazes, íntegros, e pô-los como chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez” (Ex 18,21). A segunda metade da travessia do deserto demorou 5 anos, con-tra os 35 anteriores.
“É um mundo de loucos”, dirão alguns. É o mundo que temos, mostram os autores.
As organizações que falham a adaptação, morrem. “A criatividade é o destino, mas a coragem é o trajecto” (pág. 155). “Ninguém e nenhuma organização está imune aos desafios do nosso tempo. Talvez os índios Sioux tenham percebido bem: ‘Quando se descobre que se está a montar um cavalo morto, a melhor estratégia é desmontá-lo’” (pág. 156). J.P.F.
Capitalismo Karaoke
Gestão para a Humanidade
Jonas Ridderstrale e Kjell A Nordstrom
324 páginas
Ed. Público (o livro foi distribuído
com o jornal Público e ainda se encontra à venda em quiosques)
Citação-chave
Mudança ou morte
“Algumas pessoas tentarão proteger ou até mesmo recriar o que já não existe: um mundo com fronteiras geográficas fechadas, valores familiares tradicionais generalizados, idas obrigatórias à igreja, emprego vitalício, etc. Contudo, o que essas pessoas não conseguem entender é que, independentemente do que façam, o futuro pertence a inovadores institucionais individuais e não a fundamentalistas fanáticos. O poder está ser transferido dos que aceitam as regras para os que as quebram e os que as fazem” (pág. 61).
