Estratégias pastorais sobre a partilha de bens e serviços

Revisitar o Sínodo Diocesano Têm sido muitas as insistências por parte do Bispo da Diocese no sentido de se ultrapassarem as tendências doentiamente “bairristas” de erguer fronteiras paroquiais, que impeçam a vivência da autêntica dimensão da Igreja, que passa pela experiência da Igreja Diocesana.

A Diocese de Aveiro é pobre, felizmente. Mas tem Paróquias com alguma capacidade económica. E o que é uma vantagem, preservando-nos de termos tentações de ostentação, torna-nos, às vezes, a vida difícil, mesmo em coisas essenciais, como tem sido a recuperação do nosso Seminário Diocesano, ou a recuperação de espaços de culto essenciais em comunidades de magros recursos.

O II Sínodo Diocesano pensou essas realidades. E mantém actuais algumas das estratégias pastorais sobre a partilha de bens e serviços. Em tempo de renúncia e partilha quaresmal, vale a pena recordar o que julgámos necessário. Eis algumas dessas estratégias:

– “Promover entre as Paróquias expressões concretas de partilha de bens, por ocasião, por exemplo, da construção de novos templos ou centros pastorais ou da realização de acções pastorais importantes para as quais faltam localmente pessoas preparadas e meios materiais.

– Incentivar nas paróquias a fidelidade a todos os ofertórios prescritos pela Sé Apostólica, pela Conferência Episcopal ou pela Diocese, como expressões concretas de comunhão e de partilha com instituições de grande alcance pastoral e apostólico.

– Rever, com os responsáveis das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), os critérios seguidos na administração dos recursos, no preenchimento das vagas, no acolhimento e acompanhamento dos beneficiários, na participação dos familiares e da comunidade local e na atenção privilegiada aos mais desfavorecidos.”

Partilha de pessoas e bens entre comunidades, solidariedade com obras e causas de âmbito mais vasto, justiça social e prioridade aos mais pobres na Caridade da Igreja, envolvência e educação de todos nesta consciência social… desafios mais do que pertinentes, que podem dar corpo a um caminho quaresmal verdadeiro.

Corremos o risco de transformar as Comunidades paroquiais em pequenas “empresas de subsistência”, descuidando o potencial educativo do verdadeiro amor do próximo – mandamento novo! Algumas comunidades correm o grave risco de se tornarem prestadoras de serviços de elite, desde a liturgia à evangelização ou ‘caridade’. Seria bom lermos com atenção toda a segunda parte da Encíclica de Bento XVI “Deus é Amor”!

Q.S.