Essa Vocação celibatária como piada irónica. Não duvido. Penso, logo não desisto! É porta estreita da salvação, o relaxamento espiritual neste absurdo de “demissões” (sem juízos morais). O riso traz-me de volta à terra; afasta-me de ideias estúpidas, tipo: ser “mais-santo-do-que-tu”; ser “melhor-padre-que-fulano”; “trabalho apostólico verdadeiramente-evangelizador-de-opção-pelos-pobres”. Sou bom em fingimento real: a cruz é light; a vida é já um purgatório (difícil sustentá-lo, teologicamente, para depois…); o desejo que o outro me deseje é um inferno; e, finalmente, o céu é procu-ar viver como penso, e não pensar como me fazem viver! Em vez do “Amai-Vos Uns aos Outros”, vivemos: “Armai-vos uns aos outros!”
Ajuda-me imenso, neste momento de revisão de vida, ter presente as tentações de Jesus, que são as tentações, não vencidas, da nossa Igreja Hoje. Ter presente, também, que não me peçam que fale do “sexo dos anjos” (já sei pelas ilustrações do Novo Compêndio do Velho Catecismo, que existem, anjos “ápteros”, isto é, sem asas, que rezam cantando) ou do “sex appeal” (reprimido: não amar de verdade ninguém), porque sei um pouco o que é a falsa ignorância socrática, especialidade eclesiástica (não eclesial). Aquilo que não se quer saber, em vez de o resolvermos, só o complicamos.
Por exemplo: O que são os seminários? “Foi o Concílio de Trento que impôs a obrigação da instituição do seminário em todas as dioceses para garantir uma adequada formação do clero. Na organização da vida dos seminários teve uma grande importância o regulamento imposto por S. Carlos Borromeu, que permaneceu em vigor, em substância, até ao Concílio Vaticano II” (in CHRISTOS – Enciclopédia do Cristianismo, Verbo, 2004, p.800). Nunca li o que escreveu Carlos Borromeu sobre o assunto, confesso a ignorância. Mas porque os seminários não são “dogma” de fé, resta saber como fazer a formação em tempos de crise e em tempos de mudança de época como são os nossos? Temos de inventar soluções, é assim que o Evangelho nos questiona. Se não somos capazes de “fazer bem” a formação nos seminários, que se fechem e se repensem, seriamente. Por que não se haveria de conceber a educação/formação do padre/missionário do futuro, fora da instituição do Seminário, e não como um produto exclusivo dos Seminários, sejam de que “tipo” forem? Uma vez acei-te o “dogma”, seminário é igual a padre em potência, dá a impressão de que toda a educação/formação feita fora do não-seminário, é algo espúrio, ilegítimo e, sem dúvida, desacreditado. A História da Igreja não tem uma receita exclusiva para toda a eternidade e não defende o monopólio, neste caso, educativo/formativo. O profeta é sempre tachado de subversivo, o teólogo de irreverente e o santo é tido como louco. E o missionário como é? Talvez, respondendo a esta questão existencial e de fé, saibamos um pouquinho mais sobre a educação/formação, que queremos para os(as) nosso(as) futuros(as) companheiros(as) de sacerdócio ministerial. Não será?
Não pretendo destruir nada e ninguém. Considero-me dentro da Igreja Católica Ecuménica (no espírito e na obra de Frei Roger Schutz – Taizé). Não esqueço, nesta matéria quente, duas frases mísseis não-violentos: uma de Schillebeeckx – “Aquele que espera ora. Aquele que não ora não espera”; a outra de Jacques Lacan – “O cristianismo não disse sua última palavra”. Continue On-line !?
