Exército dá louvor ao P.e César Fernandes

O P.e César Fernandes, que actualmente é vigário paroquial das paróquias da Gafanha da Nazaré e da Gafanha da Encarnação, recebeu no domingo, 13 de Setembro, em Sintra, um louvor do Ministério da Defesa Nacional / Exército Português pela sua carreira militar.

No louvor assinado pelo general José Luís Pinto Rama-lho, chefe do Estado-Maior do Exército, pode ler-se que o P.e César serviu de “forma eficiente, dedicada e competente”, ao longo de 27 anos “as tropas pára-quedistas, inicialmente na Força Aérea e posteriormente no Exército”.

O diploma de louvor destaca o serviço “no campo humano, religioso, social e cultural” deste sacerdote nascido em Calvão, no dia 24 de Agosto de 1952, e ordenado padre no dia 23 de Setembro de 1979. Refere que o P.e César teve um importante papel cultural entre os militares, dinamizando bibliotecas e colaborando na revista “Bóina Verde” e sublinha na sua conduta “um verdadeiro sacerdócio”. “Foi sempre a voz e o apoio amigo, pronto a escutar, a apoiar e a aconselhar. Sereno, de uma lealdade ímpar e possuidor de qualidades de abnegação e sacrifício exemplares, bem como de uma notável resistência física, procurou estar sempre presente nos momentos difíceis, participando sempre devidamente equipado nos diversos exercícios conjuntos e combinados”.

O diploma realça que o P.e César teve “acção marcante” em missões no exterior do país, nomeadamente entre 1996 e 2007, em sete forças destacadas na Bósnia-Herzegovina e no Kosovo, onde os militares portugueses integraram forças de manutenção da paz. Contribuiu “para a preservação da união e estabilidade no seio das Unidades, sobretudo quando tiveram que ultrapassar situações difíceis, na sequência da ocorrência de baixas. Neste domínio, o seu desempenho foi fulcral e inestimável, quer no acompanhamento dos militares feridos, evacuados ou não, quer no apoio às famílias que perderam entes queridos”.

O P.e César reformou-se no posto de tenente-coronel. Agora as lutas são outras. Passam principalmente pela dinamização da vida cristã entre as pessoas das Gafanhas da Nazaré e da Encarnação.

J.P.F.

Militares portugueses nos Balcãs

As tropas portuguesas eram apreciadas pelas populações dos Balcãs, afirma o capelão militar na reforma do Exército, mas no activo da vida pastoral. “Olhavam para nós com muito respeito. Queriam conhecer a nossa história e os nossos costumes. Tivemos «dias abertos» em que os populares puderam entrar nas nossas instalações. Diversas vezes oferecemos alimentos, bolas e equipamentos desportivos, que faziam as delícias de crianças e jovens”, relata.

A manutenção da paz não esteve, contudo, isenta de perigos. Recorda o P.e César que “nas primeiras missões, as previsões de baixas eram pessimistas”. Felizmente os número trágicos não se confirmaram, mas houve alguns mortos e feridos devido às minas deixadas pela guerra. O sacerdote lembra-se de alguns “momentos de tensão”, como quando foi necessário negociar com um líder sérvio que barrava a passagem, na Bósnia. Por outro lado, os militares portugueses tiveram que se habituar a um hábito local: os casamentos, aniversários e outras festas comemoravam-se com rajadas de metralhadoras para o ar.