Homenagem ao Senhor Padre Valdemar

“Quanto a mim, estou pronto para o sacrifício; e o tempo da minha partida já se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Já nada me resta senão receber a coroa da justiça que o Senhor, justo juiz me dará naquele dia, e não só a mim, mas também àqueles que desejam a sua vinda.” (2 Tim, 4,6-8).

Estas palavras de S. Paulo da segunda Carta a Timóteo poderiam ter sido proferidas neste tempo de dor pelo nosso pároco, que, no silêncio do sofrimento e sem que a comunidade se apercebesse, foi lentamente caminhando ao encontro do Pai. Alguém mais atento dizia: “É outro João Paulo II”. Assim Deus o quis. Testemunhou Jesus Cristo até ao limite das suas capacidades físicas e humanas. E assim sucedeu.

É difícil encontrar palavras neste momento para falar do sr. Padre Valdemar, de um Homem, de um sacerdote, de um Homem de Deus totalmente dedicado e entregue à sua missão de pastor da nossa paróquia.

A sua inteligência, sabedoria, perspicácia, determinação e dinamismo, espírito de rectidão eram qualidades e virtudes que mereciam a admiração de todos.

Fiel ao seu lema “De boa vontade darei o que é meu e me darei a mim mesmo, ainda que, amando-vos eu mais, seja de vós menos amado”, deu a esta paróquia um testemunho eloquente de doação na dádiva total de si mesmo sem rejeitar sacrifícios, dando-se e dando tudo o que era seu.

Sempre atento ao sentir da Igreja, orientou a pastoral nesta comunidade, fiel às orientações do Concílio Vaticano II, organizando e estruturando todos os serviços de pastoral. Todos nós crescemos na fé, pelas suas mãos, pelas suas palavras, pelo seu amor, pelo seu chamamento, pelo seu olhar.

O zelo e brio à casa de Deus e a sua preocupação por uma melhor participação litúrgica encontram-se espelhados por toda a paróquia na construção e restauro das igrejas dos lugares, e, muito particularmente, na nossa igreja matriz que tanto amava. Reconstruiu e ampliou o salão paroquial com a colaboração dos jovens, criando aí espaços para eles, e construiu a residência. Procurando dar resposta às necessidades das famílias fundou e orientou o Centro Paroquial com todo o carinho. Nas obras um mestre, um operário entre os operários.

Atento à formação cristã, quando Deus o quis, cumprindo o seu sonho de deixar nesta terra a “semente” do escutismo que tanto amava, fundou o nosso Agrupamento de escuteiros – o 1116. Além disso, foi grande o seu empenho, durante estes 34 anos, na formação dos membros da equipa de liturgia, levando-os a participar desde os primeiros encontros nacionais de pastoral litúrgica, em Fátima. Realizou e promoveu, também, a formação de todos os restantes agentes de pastoral. Proporcionou momentos de convívio e partilha, procurando criar entre todos laços de amizade e em que as refeições eram servidas em espírito de família e com nobreza e fidalguia. A formação humana, cristã e cultural tinham também um lugar especial no seu sentir e na sua forma de valorizar a vida e a cada um em especial.

A fidelidade à oração e o amor a Nossa Senhora foram um testemunho eloquente que nos deu ao longo de todos estes anos. Com que amor, com que respeito e dignidade nos falava do Santíssimo Sacramento.

Louvamos, agradecemos e bendizemos ao Senhor, por tão nobre e ilustre sacerdote que Deus concedeu à nossa paróquia com espírito extraordinário de serviço, sempre renovador e empreendedor, numa atitude de obediência e procura da realização da vontade de Deus.

As palavras esgotam-se, mas a gratidão, a saudade e o exemplo ficam para sempre na memória do coração de quantos encontraram nele a palavra amiga, o sorriso, o carinho, o alento, a força, a coragem e o perdão nas suas vidas. Quantas mágoas desfiadas junto de si por casais em dificuldades; quantas pessoas famintas saciou; quantas palavras de Sabedoria e de coragem levou àqueles a quem em suas casas visitou no seu leito de dor. A todos encorajava e incentivava.

Mesmo vivendo a sua doença, e sentindo-se já um doente (como com lágrimas nos olhos confessou), não deixou de estar presente junto dos doentes e idosos da nossa comunidade, preparando-os para a visita pastoral do Senhor Bispo.

Sr. Padre Valdemar, é bom bendizer e louvar o Senhor pelo seu exemplo heróico e incansável de doação, na sua missão de pai e pastor à nossa comunidade, durante estes 34 anos em que a serviu. Salientamos, também, a sua extraordinária dedicação, disponibilidade e apreço aos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação.

A hora é de profunda e reconhecida gratidão. Só Deus sabe o bem que realizou, o quanto esta terra lhe deve e que o reconhece como seu filho, que tanto sofreu para a fazer crescer na fé e na sua promoção e valorização.

Bem haja, também, sr. Padre Valdemar, por tão grande testemunho de fidelidade sacerdotal e de entrega total ao seu ministério, pelo exemplo de unidade sacerdotal e eclesial que deu e pelo seu exemplo de coragem e firmeza nas suas decisões para bem da nossa comunidade.

Que o seu exemplo seja para cada um de nós estímulo para uma vida cristã mais autêntica traduzida num maior amor a Deus e ao próximo e num serviço a favor da nossa santificação e da nossa comunidade e, em particular para os nossos jovens a quem tanto amava, apelo à voz do Senhor que os chama para O servirem no sacerdócio.

Muito, muito obrigados, Sr. Padre Valdemar!

Que o Senhor o receba na Sua Glória.

Armindo Francisco Ferreira Alves, pela comunidade da Branca