Exposição de Marcos Muge

“Do Profano ao Sagrado” em Sever do Vouga No Centro de Artes e Espectáculos, em Sever do Vouga, está patente ao público, até ao dia 28 de Setembro, a exposição intitulada “Marcos Muge – Contemporâneo. Do Profano ao Sagrado”, constituída por 63 obras de arte, a maioria das quais inéditas, desse artista plástico natural de Ovar e residente em Esgueira.

Cinquenta das obras presentes na exposição são placas cerâmicas policromáticas, de formas e dimensões variáveis, com temática religiosa, peças criadas propositadamente para esta mostra, numa interpretação muito pessoal e artística da clássica e tradicional simbologia cristã.

Sete outras obras são de pintura sobre tela, todas elas de cariz religioso, algumas de grandes dimensões. Estas últimas seguem a tradicional linha das telas concebidas expressamente para os altares-mores das igrejas.

Há também esculturas, destacando-se uma cabeça humana, executada de acordo com a escultura clássica, e uma peça escultórica, em madeira, com partes revestidas a folha de ouro, como na clássica talha dourada.

A mostra é completada por três painéis de azulejos, todos eles distintos na forma como foram executados, ainda que a temática também seja religiosa. Um deles, é um painel em relevo. Outro, com o título “S. Mateus de Sever do Vouga”, é um painel, de grandes dimensões, que representa o evangelista S. Mateus, padroeiro de Sever do Vouga. O terceiro, que está em grande destaque na área central da exposição, no chão, é um enorme painel, constituído por 170 azulejos (de 14 X 14 centímetros), o qual está inserido numa obra mais vasta (uma instalação) que integra vários outros materiais, como madeira desfeita, recortes de imprensa, entre outros, intitulada “Via-sacra de 2008 anos”, a qual é um hino contra a ganância e a busca incessante de poder e riqueza, a todo o custo e sem olhar a meios, e um reavivar da profética frase da Quarta-feira de Cinzas: “Lembra-te Homem que és pó e ao pó voltarás”.

Pela homogeneidade temática, pela originalidade com que Marcus Muge interpreta artisticamente a clássica simbologia cristã, pela enorme quantidade das obras e pela variedade de materiais usados na concepção dessas peças, na sua quase totalidade executadas propositadamente para este evento, a exposição “Do Profano ao Sagrado” é um marco na carreira artística de Marcos Muge.

Desde a sua primeira exposição, ocorrida na Cova da Piedade (Almada), no ano de 1986, Marcos Muge já realizou 19 exposições individuais e participou em 17 mostras colectivas e em 18 exposições em certames de artesanato, tanto em Portugal como no estrangeiro, tendo obtido diversos prémios, incluindo um na Hungria. Está representado em colecções públicas e privadas, em diversos países, nomeadamente África do Sul, Alemanha, Austrália, Brasil, Escócia, Espanha, Estados Unidos da América, França, Holanda, Hungria, Itália, Portugal e Suíça.