Fábrica de papel apoia restauro do túmulo de D. João Albuquerque

O Museu de Aveiro e o Grupo Portucel Soporcel assinaram, na passada sexta-feira, um protocolo de cooperação com vista ao restauro do túmulo de D. João de Albuquerque e de sua esposa D. Helena Pereira, obra de arte tumular da escultura tardo-medieval, que se encontra exposta no museu aveirense.

Este protocolo, que foi assinado pela directora do Museu de Aveiro e pelo director da fábrica de Cacia da Portucel, respectivamente, Ana Margarida Ferreira e José Nordeste, surgiu no âmbito de uma campanha de angariação de mecenas, lançada pelo museu, nesta fase final das obras de ampliação e conservação que o edifício do antigo Convento de Jesus está a beneficiar, protocolo que a directora do museu espera que seja o primeiro de uma série de outros, pelo que é, em sua opinião, um exemplo a seguir por outros grupos e empresas da região.

Ana Margarida Ferreira realçou que o Museu de Aveiro pretende ser uma “casa de encontro com as empresas, as escolas, os investigadores e os mais diversos tipos de públicos”, fazendo dele uma “casa do conhecimento e de fruição cultural”.

A directora do museu revelou ainda que as obras deverão terminar durante o ano em curso e que, até ao final do ano, deverá ser inaugurada a renovada área de exposição permanente, na qual terá destaque o túmulo de D. João Albuquerque, uma das peças “mais internacionalizadas” do espólio do Museu de Aveiro.

José Nordeste sublinhou que o apoio do Grupo Portucel Soporcel se insere na política de responsabilidade social da empresa, nomeadamente no vector de “apoio empenhado à preservação e valorização do património cultural das regiões onde se localizam as suas unidades fabris, estreitando assim os laços com as comunidades locais”.

O túmulo de D. João Albuquerque é construído em pedra calcária de Ançã. As quatro faces laterais da arca tumular são totalmente revestidas por esculturas em relevo. Sobre a tampa encontra-se uma estátua jacente desse fidalgo. A peça data do século XV (1478), e foi executada por mestres da designada “escola coimbrã”, em estilo gótico tardio (ou gótico peninsular). Inicialmente, estava depositado numa das capelas da Igreja do Convento de Nossa Senhora da Misericórdia / S. Domingos (actual Sé de Aveiro).

D. João Albuquerque foi um fidalgo e cavaleiro do rei D. Afonso V, tendo sido “senhor de Cacia e Angeja”. A sua esposa, D. Helena Pereira, pertencia à família dos Condes da Feira.

C.F.