Ponta de Lança Ao abordarmos qualquer pessoa, em partilha sobre os seus percursos de vida, é fácil encontrar quem afirme que, para chegar onde chegou (profissional, familiar ou pessoalmente), teve de enfrentar várias dificuldades, de vencer muitos obstáculos! Não há neste país quem não conheça a dramática expressão das agruras da vida, no seu currículo ou por força do testemunho de terceiros, às vezes temperado com um “no meu tempo é que era! Oh! Oh!”.
Bem sabemos que tudo na nossa história é feito à custa de “muito suor e lágrimas” – aí está mais uma máxima encantadora sobre a “alegria” nacional, a atitude que nos impele para o futuro!
É curioso como o nosso reportório de sabedoria popular, compilado em ditados, em adágios, contradiz as nossas práticas! Provavelmente é por isso que é tão popular, é para exorcizar o contrário do que fazemos!?
Com toda esta carga anímica que, sabemo-lo bem, ultrapassa o ânimo e confunde-se com a experiência de Portugal, não é possível alguém pensar que o futuro de cada um, o futuro de um grupo, o futuro de um país, o futuro de todos estará no facilitismo, no despesismo, na opinião desbaratada, no incumprimento, no assobiar para o lado!?
É curioso como todos temos opinião de tudo, não é? Infelizmente, na maior parte das vezes, só vemos concretizado, nessas opiniões, mais um provérbio no meio de muita verborreia: “a ignorância é muito atrevida!”
Trinta anos em democracia ainda não são suficientes para compreender a essência da comunicação. Não basta emissor e receptor, canal de comunicação,… também é preciso mensagem, sim, no mínimo alguma mensagem, conteúdo!
E como isto atravessa toda a sociedade portuguesa! No desporto também, claro! Há processos contra processos, há dirigentes possessos! Há comunicados à imprensa que parecem conversa da treta (“fui recebido pelo Senhor Procurador Geral da República que me garantiu estar preocupado com o apito dourado! – Então…mas que país é este? O PGR não deveria estar preocupado com tantos sinais de corrupção, com tanta maledicência, tanta acusação em praça pública?!); mas também vemos o mesmo nos alunos que não querem ter substituições, nem exames; nas universidades que continuam sem dinheiro e aumentaram as propinas de forma incrível; na banca que ameaça aumentar impostos se mexerem com os seus impostos;… tudo bem, desde que seja fácil e bastante lucrativo!
Para melhorar um pouco o horizontes do país, não seria melhor proibir a propaganda ao facilitismo, à demagogia de que tudo é fácil e acessível a todos e a todas, para que o futuro… fosse… mais fácil? Não interessa viver num país sádico ou estóico mas interessa viver no facilitismo?
Desportivamente… pelo desporto!
