Faleceu o Diácono Daniel Rodrigues

Óbito Faleceu no dia 29 de Novembro. Jornalista, ordenado Diácono Permanente em 1988, Daniel Rodrigues foi director adjunto do Correio do Vouga de 1993 a 2004.

Faleceu o Daniel Rodrigues, o decano dos jornalistas aveirenses. Tinha 79 anos e foi ordenado Diácono Permanente em 22 de Maio de 1988.

Como jornalista, trabalhou incansavelmente no “Comércio do Porto” e no “Diário Popular”, tendo exercido, também, as funções de director-adjunto do Correio do Vouga. Como diácono, foi responsável da pastoral dos ciganos e colaborador da paróquia da Glória.

Distinguiu-se sobremaneira como repórter, conhecendo todos os recantos do Distrito de Aveiro, e não só. As suas reportagens caracterizaram-se pelo humanismo com que enfrentava as realidades, denunciando injustiças e promovendo as pretensões que considerava legítimas das populações. O reflexo desse seu trabalho está bem patente no livro “Vouga Arriba… ou o drama de um povo”, publicado em 1974. Nele disse que não olhava a homens ou a cargos. «Importa-nos, isso sim, a defesa do Povo. Para além da nossa ideologia política e religiosa, está o bem da Colectividade, das camadas mais desprovidas de réditos. Não atacamos ou elogiamos homens; atacamos situações, elogiamos tomadas de posições verdadeiras».

Ao serviço da reportagem, facilmente captava a “notícia”, retratava com sensibilidade e humanismo dramas e alegrias, ao mesmo tempo que alertava para as injustiças e para os injustiçados.

Nascido em “Terras do Demo”, como tantas vezes proclamava, passou pelo Seminário de Beja já adulto e estabeleceu-se em Aveiro como funcionário judicial, sendo paralelamente correspondente de várias publicações. Porém, um dia teve que decidir e passou a dirigir, com empenho total, a Delegação de Aveiro do “Comércio do Porto”. Depois ainda a Delegação do “Diário Popular”, correndo de um lado para o outro, num afã de estar em todas as frentes. E o seu maior desgosto terá sido quando viu fechar a sua “delegação”, que tanto trabalho lhe dera para se impor na cidade de Aveiro e região.

Das suas inúmeras reportagens destaco as que dedicou à defesa dos interesses da Gafanha da Nazaré, sobretudo para a sua elevação a Vila e Cidade. Também, entre muitas outras, as que escreveu sobre o Préstimo e Talhadas e os seus baldios, e sobre o Salgado aveirense. Não ficou indiferente aos Congressos Republicanos, ao 25 de Abril, com revolução e contra-revolução, nem tão-pouco aos sofrimentos dos mais desprotegidos.

Como responsável diocesano pela Pastoral dos Ciganos, percebia-se muito bem, quando falava e reflectia com amigos ou conhecidos sobre as “caravanas” que passavam e acampamentos que visitava, quanto vivia os problemas daquele gente nómada, que considerava como irmãos a promover e a dignificar.

Meu colega na direcção do “Correio do Vouga”, depois de tantos trabalhos jornalísticos, senti a alegria com que partiu para Cuba, para mais uma série de reportagens sobre a visita de João Paulo II à ilha e ao sonho de um regime sem classes de Fidel Castro. «Cuba, abre-te ao mundo; Mundo, abre-te a Cuba», expressão que Daniel Rodrigues ajudou a propagar, com uma alegria enorme, na esperança do desejado entendimento total entre os homens, para além das suas ideologias políticas e religiosas.

Nesta hora de o ver partir fisicamente, faltam-me as palavras que ele merecia. Mas o seu trabalho, em prol de todos os homens de boa vontade, em tantas etapas, levá-lo-á, certamente, ao aconchego no coração de Deus.

O funeral realizou-se na Igreja da Misericórdia, no dia 30 de Novembro. Daniel Rodrigues foi sepultado no Cemitério Sul.

Fernando Martins