Faleceu o padre Jeremias Vechina

P.e Jeremias Vechina (1938-2016)
P.e Jeremias Vechina (1938-2016)

Tinha cumprido recentemente 50 anos de sacerdócio ministerial. Era uma referência em Portugal
sobre a espiritualidade carmelita.

 

Faleceu no dia 8 de outubro, aos 77 anos, o padre Jeremias Vechina, carmelita. O seu funeral realizou-se no domingo, dia 9, numa celebração presidida pelo Bispo de Aveiro, na Igreja do Carmo, seguindo depois para o cemitério da Gafanha da Nazaré, de onde era natural. Concelebraram os bispos D. César Augusto (emérito de Portalegre-Castelo Branco) e D. António Marto (Leiria-Fátima), entre outros padres, diáconos e fiéis.
A morte do P.e Jeremias foi algo inesperada, dado recentemente ter celebrado com muito dinamismo as bodas de ouro sacerdotais, como se anunciou na edição de 14 de setembro deste jornal, embora se soubesse que sofria da doença de Crohn (doença inflamatória intestinal) e tenha sido submetido a uma operação à próstata que não correra de modo adequado.
No final da manhã de 8 de outubro, quando muitos agentes pastorais estavam reunidos no Seminário de Aveiro, D. António Moiteiro deu a notícia do falecimento referindo que “temos alguém junto de Deus que nos conhece e que por nós intercede”. E convidou a “dar graças a Deus pelo bem que o P.e Jeremias fez por este país fora”.
De facto, Jeremias Vechina, enquanto especialista em espiritualidade carmelita, sobretudo em ligação à vida e obra de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz, empenhou-se em vários movimentos da vida da Igreja Católica, divulgando e transmitindo o carisma carmelita. Foi provincial da Ordem Carmelita e superior de várias comunidades, além de diretor das Edições Carmelo e de mestre de noviços.
Há três semanas escrevia neste jornal o eng. David Leite, provedor da Confraria do Carmo, que o P.e Jeremias pôs “ao dispor de todas as comunidades cristãs do país, bem como aos sacerdotes diocesanos ou religiosos, as suas capacidades de oratória e pregação, através da dinamização de retiros espirituais”.
Ele próprio afirmou ao jornal Timoneiro (mensário da Gafanha da Nazaré), em abril de 2010: “Por vocação e carisma sentia uma tendência muito forte para o apostolado e concretamente para o apostolado da espiritualidade. Dediquei grande parte da minha vida a dirigir Exercícios Espirituais principalmente aos sacerdotes, religiosos e religiosas, mas sem esquecer os leigos. Esta dedicação aos sacerdotes teve a sua origem num Retiro dirigido aos nossos bispos a convite do Senhor D. Manuel, a quem muito apreciava. A partir daí os bispos foram pedindo para ir às suas dioceses dirigir os retiros aos seus sacerdotes. Percorri praticamente todas as dioceses e em algumas estive mais de quatro vezes. O ter que falar aos sacerdotes foi avivando em mim, cada vez mais, a graça do meu sacerdócio”.
Jeremias Carlos Vechina nasceu na Gafanha da Nazaré a 21 de novembro de 1938 e entrou para o Seminário Carmelita Missionário de Viana do Castelo em 1953. Fez o noviciado em Larrea (Espanha), a filosofia em Vitória (Espanha) e a teologia em Bilbau (Espanha), onde foi ordenado no dia 11 de setembro de 1966. Desde a Páscoa de 2014 residia na Comunidade do Carmo de Aveiro.

 

Família de cinco padres

“Eu nasci numa família profundamente religiosa. Éramos quatro rapazes e quatro raparigas. O meu pai passava a maior parte do ano embarcado no “João Corte Real”, dedicado à pesca no alto mar. A minha mãe, nesta situação, fazia de pai e mãe e desempenhava muito bem a missão. Ela teve três irmãos sacerdotes que entraram no Seminário de Coimbra já bem adultos. Era considerada a “mãe” deles, pois tinha a seu cuidado a sua roupa quando vinham de férias. Mais tarde viria a ser mãe de dois filhos sacerdotes carmelitas”.
Jeremias Vechina
In “Timoneiro” de abril de 2010