
Padre. Diretor
O tempo do Sínodo é tempo propício a revisitar o Vaticano II, para retomar algumas afirmações importantes sobre a Família. Quando a comunicação social se empenha em sugerir dificuldades e divisões, quando na aula sinodal poderão ocorrer discussões intensas, saborear os frutos de uma Igreja submissa ao Espírito é sempre uma bênção.
Na constituição pastoral “Gaudium et Spes” (n.º 52), os Padres conciliares começam por relevar a importância da harmonia familiar chamando-lhe “uma escola da mais rica humanidade”. A comunhão de espírito e o projeto comum dos esposos, com a presença concertada do pai e da mãe, tornam-se o clima necessário para a educação dos filhos, num caminho de diálogo e progressiva capacitação de escolhas.
E esta é a Família que constitui o autêntico fundamento da sociedade: “ponto de encontro de várias gerações que mutuamente se ajudam a adquirir uma mais plena sabedoria e a harmonizar os direitos das pessoas com as outras exigências da vida social”.
Esta é a atmosfera que permite o reconhecimento da dignidade pessoal, a alteridade, da igual dignidade de homem e mulher, da complementaridade das suas diferenças, da pluralidade de missões e funções; que permite a definição de bem comum, de caminho para fazer dele a felicidade de cada um; que permite o exercício prático da cooperação, verdadeiro gérmen da vida social.
Quem tem a graça de viver esta harmonia sob a luz do Espírito, sob o olhar carinhoso do Pai, na certeza da presença incarnada de Jesus Cristo, como Mestre e guia da vida quotidiana, transforma esta célula base da sociedade em primeira comunidade cristã, isto é, em verdadeira Igreja doméstica.
Com todo o respeito pelas pessoas que assim não pensam, acolhendo respeitosamente todos os que enveredaram por caminhos diferentes, a missão da Igreja é a de anunciar, com alegria e persistência, este Evangelho da Família. E proclamar que essa é a via normal dos batizados que seguem a vocação matrimonial, reconhecendo embora que o respeito pelas situações diversas reclama o empenho pastoral no sentido de lhes dar espaço, a seu modo, na vida da Comunidade.
Ousamos esperar que os Padres sinodais, longe do ruído das opiniões facciosas da comunicação social, movidas por interesses ocultos, acolhendo a luz e força do Espírito Santo nas suas consciências, nos proporcionem orientações pastorais claras e solícitas, firmes e misericordiosas, para o serviço da Família.
