Revisitando o Vaticano II Completamos, com este texto, um breve contributo de Nuno Brás para a reflexão sobre a nobreza e a responsabilidade deste serviço à Igreja que é a reflexão teológica.
Algumas vezes incompreendida, outras tantas até mesmo obstruída. Porque cabe ao teólogo perguntar, pôr em causa, buscar razões – o que significa desinstalar a Igreja de prática e formulações vazias para o homem contemporâneo ou desviadas do caminho evangélico.
“Ao teólogo cabe também apontar novos caminhos, procurar novas linguagens, apontar soluções, discernir os sinais do Espírito.” Não sendo o braço ideológico e doutrinário do Magistério, a Teologia, enquanto carisma e ministério próprio, não pode substituir o Magistério próprio, nem apontar caminhos paralelos. Terá de ter sempre em mente a unidade eclesial e o bem de toda a Igreja. Apesar de tudo, no meio de incompreensões e dificuldades, não pode deixar de rasgar novos horizontes. É evidente que a fidelidade à Revelação, como ao Homem de cada tempo, reclama esta ousadia. E é precisamente nessa fidelidade que se encontra o equilíbrio periclitante, o qual algumas vezes se perde, fazendo da história da Teologia a história das heresias.
Com Nuno Brás, estamos de acordo ainda para dizer que o teólogo é também responsável pelo mundo em que vive. O seu trabalho tem de perspectivar um enriquecimento do diálogo científico, ajudando a enquadrar o avanço dos diversos conhecimentos em benefício de uma concepção integral do Homem e do Mundo. Por isso, a sua reflexão há-de constituir um enriquecimento para o próprio existir quotidiano. Assim se faz a teologia do trabalho, do lazer, da ecologia… É que toda a acção humana só alcançará o seu pleno sentido quando é repassada da pureza de intenções, da consciência do sentido, que se bebe essencialmente na graça que Deus nos disponibiliza a cada instante e em cada situação.
E, nesse sentido, a teologia permite ao cristão apresentar-se com razões empenhado na construção do Mundo, interpelando os outros a que aprofundem também os motivos do seu compromisso. A Teologia deveria aparecer, na Igreja e no Mundo, como “sentinela da Verdade que é Deus”.
O mútuo reconhecimento, da Teologia e do Magistério, do sentir dos crentes e da busca teológica, do contributo específico de cada um na percepção e anúncio da Verdade do Evangelho, é o caminho de um crescimento eclesial harmonioso e de um testemunho credível da proposta da fé ao Mundo do nosso tempo.
Querubim Silva
