Festa da esperança!

A Páscoa de tons sociológicos já não tem lugar entre nós. Aliás, esse matiz do acontecimento central da vida de Jesus, o Cristo, não seria o melhor ambiente para a sua autenticidade. Em nome da purificação da paixão por este Jesus Senhor, permitindo-lhe o regresso às origens – uma escolha consciente e consis-tente, geradora de uma indestrutível relação pessoal – este é um tempo saudável para os verdadeiros discípulos.

É que a Luz das noites humanas é discreta, o Fogo dos invernos da luta quotidiana é interior, o Trigo lançado à terra germina vida nova em silêncio… O Amor que chama à vida é feito de entrega serena, de perdão recôndito, de carinho sem palavras, de mão estendida e salvadora sem aparato…

“Crescem nas asperezas do caminho / pequenas flores brancas de esperança; / não podem os espinhos afogá-las, / pois foi o amor quem as chamou à vida”. Esta é a realidade vivida e testemunhada por quantos crêem na Páscoa. A saída incondicional da Sua majestade de Deus, a Sua entrega sem reservas para redenção da Humanidade, torna Jesus Cristo a expressão por excelência do amor do Pai, a fonte inesgotável do Espírito fecundante, que por entre ruídos e agitação, por entre correrias e atropelos, faz germinar e sustenta a seara silenciosa e subtil, o Reino, que vai permeando este Mundo em convulsão.

Nada nem ninguém poderá estancar tamanha torrente de beleza e de esperança, que desce do santuário do lado de Cristo, fecundando tudo à sua passagem, purificando as águas da vida conspurcadas pelo nosso pecado, fazendo brotar oásis de árvores de frutos apetecíveis. Mesmo que esmagadas, as pequenas flores brancas de esperança não serão vencidas; o seu perfume e a sua reprodução hão-de povoar progressivamente os caminhos da Humanidade, pois foi o Amor quem as chamou à vida.

A malvadez é farta em inventar formas de cercear esta pujança de vida. Todavia, o amor do Crucificado, que inscreveu no ADN espiritual da mesma Humanidade a condição de nova criatura, faz que sempre desperte a luz do novo dia. A certeza de que todos os fracassos foram vencidos, na morte vencida pelo Ungido, reabre para sempre as portas da esperança.

A Páscoa é a festa da Esperança! “Circule em nosso ser a seiva nova, / caudal de puras águas cristalinas, / que, brotando do lado do Senhor, / correm vivas até à eternidade”. Se nos abrirmos a esta torrente de vida, retomaremos a qualidade de fermento transformador, de sal que dá sabor, de luz que dissipa as trevas. O melhor desejo que se pode exprimir a quem estimamos, quando nos desejamos boas festas, é este: abrir o coração e o espírito às sementes de vida e de esperança, que o Senhor Jesus, morto e ressuscitado, nos oferece.