“Fiz de ti a luz das nações”

À Luz da Palavra – Baptismo do Senhor – Ano A A Liturgia da Igreja apresenta-nos, hoje, a festa do Baptismo do Senhor. E este acontecimento, aliás como o nosso próprio baptismo, participa do sentido popular que damos à palavra “baptismo”. Por ele, cada um de nós experimenta a salvação de Deus, que nos chama, como seus filhos e filhas, a entrarmos na grande família dos cristãos. Jesus, pelo seu baptismo, inaugurou a sua vocação/missão de Messias ou Cristo, no meio do povo.

Na primeira leitura, Isaías anuncia um “servo” escolhido e enviado por Deus, sobre o qual actua o Espírito de Deus, para que leve a justiça às nações, com humildade e tolerância. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus, a quem o Pai confiou uma missão, segundo a palavra do profeta: “tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas”. Esta missão estende-se às ilhas longínquas, isto é, a todos os povos de todas as nações sobre a terra. Estou consciente de que, como baptizado, também estou investido na missão de renovar e transformar o mundo?

No evangelho concretiza-se a promessa de Isaías. Jesus é o “Servo”, enviado pelo Pai, sobre o qual repousa o Espírito e cuja missão é realizar a libertação/salvação de todas as pessoas. O baptismo de Jesus, ministrado por João Baptista, no rio Jordão, abre uma nova etapa na história da salvação: daqui em diante, Deus fala-nos por seu Filho Jesus e, nele, cada um de nós pode conhecer o verdadeiro “rosto” do Pai, cheio de ternura e de misericórdia para com todos. Podemos aperceber-nos, pela narrativa, que o baptismo de Jesus foi uma ocasião para a revelação messiânica que o Pai reservou para seu Filho. Por ocasião deste baptismo, dá-se uma teofania, isto é, uma manifestação de Deus: o Pai fala, para autenticar a autoridade da palavra de Jesus e desvendar a sua identidade, e o Espírito Santo, em forma de pomba, repousa sobre Jesus, ungindo-o com a sua força. É a revelação do mistério trinitário de Deus, Pai e Filho e Espírito Santo. No nosso baptismo, a Santíssima Trindade também está presente, porque somos baptizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo para nos tornarmos participantes da missão de Jesus. Como baptizado/a tenho sido testemunha comprometida na missão de Jesus, empenhando-me nela, como Jesus, até estar disposto/a a dar a minha própria vida?

Na segunda leitura, Pedro atesta que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para realizar o seu projecto de salvação, estendido a todas as pessoas, sem qualquer acepção. Como baptizado/a e, portanto, comprometido/a no plano salvador de Deus, reconheço a igualdade fundamental de todas as pessoas? Empenho-me em libertar as pessoas oprimidas pelo egoísmo, sofrimento, exploração, solidão?

Leituras do Baptismo do Senhor – Ano A: Is 42,1-4.6-7; Sl 28 (29); Act 10,34-38; Mt 3,13-17

Deolinda Serralheiro