Revisitar… o Concílio Vem aí o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos (com cem anos de persistência!), sucedem-se encontros inter-religiosos, singram movimentos interconfessionais (Taizé)…, e vem a Congregação para a Doutrina da Fé emitir uma declaração sobre a “exclusividade” da Igreja Católica…
No espírito de muitos, estarão a pairar dúvidas e sombras. Vale a pena revisitar alguns documentos do Concílio Vaticano II, em busca de uma compreensão mais esclarecida da missão da Igreja, das suas “fronteiras”, da sua relação com as outras confissões cristãs e com as outras expressões religiosas. Vamos procurar fazê-lo nas próximas semanas, em serviço da verdade e da unidade que o Senhor deseja.
Comecemos pelo decreto conciliar “Unitatis Redintegratio”, sobre o Ecumenismo, isto é, sobre o ser da Igreja e as relações da Igreja Católica com as outras Igrejas Cristãs.
“Para estabelecer a Sua Igreja santa em toda a terra até aos confins dos tempos, Cristo confiou ao colégio dos doze o ofício de ensinar, governar e santificar. Entre eles escolheu Pedro sobre quem edificou a Sua Igreja depois da sua profissão de fé”… – UR 2.
Primeira condição de fidelidade da Igreja ao Senhor é a fidelidade à origem apostólica. E ela comporta uma comunhão orgânica, vertebrada pelo serviço do ministério episcopal, mantido e confirmado em comunhão pelo sucessor de Pedro.
“Jesus Cristo quer que o Seu povo cresça pela pregação fiel do Evangelho, pela administração dos Sacramentos, pelo governo da caridade, sob a acção do Espírito Santo, dos Apóstolos e seus sucessores, os Bispos, tendo como cabeça o sucessor de Pedro, e que realize a sua comunhão na unidade: profissão de uma só fé, celebração comum do culto divino e fraterna concórdia da família de Deus” – UR 2.
O anúncio da Boa Nova, a celebração da Graça, a vida de Caridade definem os objectivos permanentes da Igreja de Jesus Cristo. Agente primeiro de toda esta actuação é o Espírito Santo: só Ele torna permanente o mistério da oferta universal da Salvação. Mas, uma vez que esta Salvação é ofertada a seres humanos concretos, uma configuração de serviços e acções plasma a essência visível da Igreja. O Evangelho, a Eucaristia, o Bispo são a trilogia que dá consistência visível à Igreja.
“Deste modo a Igreja, rebanho único de Deus, caminha na esperança rumo à meta da pátria celeste como sinal levantado entre as nações, oferecendo o Evangelho da paz a todo o género humano” – UR 2.
A Igreja está ao serviço de todo o género humano, como guia na peregrinação deste mundo. É na sua luz que caminham as nações. O cortejo dos que usufruem dessa luz não tem contornos precisos: pode e deve crescer continuamente, dando corpo ao desenvolvimento desta tensão entre o sinal erguido e a plenitude do Reino.
(cont.)
Q.S.
