O cristianismo não surgiu como uma doutrina, mas como uma forma própria e original de viver, como um modo de seguir uma pessoa singular, Jesus Cristo, apaixonado por quanto Ele fez e ensinou.
As comunidades iniciais perceberam a mensagem. O enraizamento da sua vida na Palavra, na Oração, na Eucaristia, gerava nos seus membros uma alegria interior mobilizadora e tornava o seu testemunho de vida comunitária contagiante. Quando pareceram surgir desequilíbrios, que poderiam pôr em causa esta harmonia, logo o modelo organizativo, a consagração de funções e serviços, vieram obviar à necessidade de manter esta coesão, sentido de pertença e cooperação mútua.
É notório que esta forma de vida interpelava fortemente os que não pertenciam à comunidade ou que eram mesmo estranhos a esta nova forma de expressão religiosa. Por isso, aumentava todos os dias o número daqueles que “aderiam à fé”. Não se tratava de uma inscrição na “nova seita”; era, antes, uma adesão reverente da inteligência e da vontade a um estilo de vida novo. De corpo e alma, movidos pelo desejo de uma vida com sentido e esperança, em busca da saciedade para tantas formas de fome insaciadas!
Vivemos, no passado domingo, uma experiência de Igreja Diocesana provavelmente ímpar, na história da Diocese. Pelo menos, uma experiência extraordinária. Não só pelo número de pessoas que acorreram ao Colégio de Calvão, apesar do tempo adverso, mas sobretudo pela sintonia e pelo espírito de jovialidade e alegria que se respirava em todos os recantos. Graças a Deus, por este sinal de Igreja viva!
A questão que, de ora em diante, teremos de colocar é se, na correspondência ao eco de um Fé’stival jovem (no sábado), sob o signo do “Ide! Fazei discípulos!”, e ao mandato do nosso Bispo “Convoco-vos para a missão”, todos nós estamos disponíveis para trilhar o caminho do discipulado, aderindo incondicionalmente a esta nova forma de vida, para fazermos e darmos, assim, crédito ao que possamos anunciar (ensinar), para que o impulso novo, a linguagem nova, a atitude nova, constituam, de verdade, uma nova evangelização.
A alegria manifestada não pode esgotar-se em gestos rituais, em marketing aliciante, que poderão deixar atónitos os circunstantes, mas não lhes oferecerão motivos de interesse e inquietação na sua busca de sentido. Importa “aliciar” pela transparência de uma vida com horizontes e práticas comunitárias inquestionáveis, que deem rosto sem confusões ao Amor divino por todos e cada um dos humanos. Quando os indiferentes, os céticos, os descrentes puderem dizer sem reservas “vede como eles se amam”, a nova evangelização estará na rua e os seus frutos se multiplicarão.
A Igreja de Aveiro está viva! A sociedade de Aveiro espera a comunicação dessa vida esperançosa, como contributo real ao renascer do otimismo, da alegria de futuro!
