Olhos na Rua Estava a ver os que tinha à minha frente, a pensar nos que estavam longe e também me tocam, a recordar os milhares que, por esse país fora, passaram pelo Seminário. Antigos alunos, com as suas associações, regressam, em grande número e ciclicamente, à casa e escola dos seus inícios. Com as limitações do tempo, reconhecem que o seminário transmitiu valores, deu hábitos de trabalho e capacidade de organizar a vida. Quando os estudos não eram reconhecidos pelo governo de Salazar, muitos deles foram heróis para se habilitarem a empregos e continuar estudos de outro grau. As dioceses sabiam que muitos não seriam sacerdotes. Nem por isso deixaram de ter portas abertas para os que procuravam o seminário, por vezes a única hipótese de ir mais além para jovens de muitas famílias modestas que viviam em meios rurais.
Hoje ocupam ou ocuparam lugares de relevo no país e até fora. São advogados, professores, magistrados, médicos, empresários, políticos, autarcas e com profissões úteis à sociedade. Todos, mesmo os que ficaram em posições mais modestas, testemunham o que devem ao seu seminário e como aí enfrentaram o desafio de uma decisão para o futuro. O seminário que abriu portas para entrar, não as fechou para os que foram optando por outros caminhos, nem deixou de os acolher sempre e, no possível, de os ajudar a enfrentar a vida com os seus desafios.
