Uma das novidades, para mim absolutas, consolidando um reflexão intuitiva mas não raciocinada, durante o recente Simpósio do Clero, foi a clarificação da Formação Permanente: a extraordinária – constituída pelas acções programadas, de actualização teológica e pastoral; e a ordinária – que consiste na construção diária da identificação do presbítero com Cristo, pela sua renovação interior, pela sua vivência aprofundada do exercício do ministério, pelas formas de intimidade com Cristo (oração, vida sacramental, estilo de vida quotidiano…), pela crescente proximidade das pessoas e envolvência na sua sabedoria…
Num dos seus diálogos com o Clero de Roma – o clero do seu Presbitério! -, o Santo Padre, respondendo a uma pergunta de um sacerdote, diz-lhe em determinado momento: “Neste sentido, em resumo, concordo consigo: não basta pregar ou fazer pastoral com a bagagem preciosa adquirida no estudo da teologia. Ela é importante e fundamental, mas deve ser personalizada: devemos partir do conhecimento académico, que aprendemos e sobre o qual reflectimos, com uma visão pessoal da nossa vida, para chegarmos às outras pessoas. Neste sentido, desejo dizer que é importante, por um lado, concretizar com a nossa experiência pessoal da fé, no encontro com os nossos paroquianos, a grande palavra da fé, mas tambem não perder a sua simplicidade.”
As grandes palavras da tradição teológica, que dizem os grandes mestres da teologia, têm de ser envolvidas na nossa experiência pessoal de Deus, para se tornarem anúncio válido para o homem de hoje.
E o Papa continua: “Deus existe, não é um ser baseado numa hipótese, afastado, mas está próximo, falou connosco, falou comigo. E assim dizemos simplesmente o que é, como se pode e se deve explicar e desenvolver. Mas não esqueçamos que não propomos reflexões, não propomos uma filosofia, mas propomos o anúncio simples de Deus que agiu, e que também agiu comigo”.
Este é o cerne da Formação Permanente ordinária, quotidiana: contemplar e reflectir as maravilhas de Deus em nós, a nossa correspondência a elas crescendo na identificação com Cristo, e tornando esse testemunho o veículo privilegiado do diálogo com as pessoas sobre as grandes verdades da Fé.
