Muitos padres, poucos padres?

Uma pedrada por semana Cerca de oitocentos padres portugueses estiveram quatro dias, em Fátima, a participar num simpósio que os ajudou e rever a sua vida, na fidelidade à graça que fizera deles um dom na Igreja, a favor de todos e para a humanização da sociedade.

A quem basta esta simples notícia acha que, afinal, ainda são muitos os padres que há em Portugal, mesmo não estando em Fátima a maioria deles. Outros, mais conhecedores da realidade ficam pensando que são cada vez menos os servidores do Evangelho nas comunidades cristãs, e interrogam-se sobre o futuro das mesmas. De há muito se diz que, fechadas as igrejas, se multiplicam as feras, porque se vão desvirtuando os corações, perdendo as referências que humanizam e salvam, e se tornam cada vez mais difíceis as relações humanas e sociais.

Reflectir o sentido de uma vida que não se pertence a si própria, porque é dádiva de Deus a todos, é sempre um momento de esperança. Assim se dá conta do que se é, se renovam energias, se abrem horizontes, se purificam vidas, se qualificam acções, se volta às raízes que dão segurança e às fontes que as alimentam.

Não sei se as Igrejas diocesanas e suas comunidades se estão a dar conta do que lhes é oferecido e pedido neste Ano Sacerdotal. O tempo passa. É importante que não se perca uma ocasião que as ajude, num aspecto fundamental, a compreender melhor a sua grandeza e missão e os meios que tal graça lhe proporcionam. Também uma sociedade aberta, mesmo alheia a motivações religiosas, se pode aperceber da importância de muitas vidas que estão na linha da frente, sempre disponíveis para o bem de todos. Em tudo isto está o padre, fiel a Jesus Cristo e a si próprio, um expropriado voluntário para que todos vivam.