Não há arma mais terrível do que o suicida decidido a matar e morrer, sobretudo se viver no nosso bairro ou na nossa cidade. Podemos fazer explodir todas as mochilas abandonadas – não todos os que trazem uma mochila às costas. Podemos revistar os que entram nos aviões – não os que correm para apanhar o metro. Podemos registar quem conversa com quem – não podemos ouvir as suas conversas. O que mostra como “estar entre nós” e “contra nós” é terrível.
José Manuel Fernandes
Público, 14-07-05
Um dia alguém perceberá que é mais simples atacar no aeroporto de Lisboa do que em Londres, pesará os prós e os contras do impacto publicitário e escolherá Lisboa, ou um evento lisboeta, para dar uma lição aos ‘novos cruzados’, ou seja, nós. É só, parafraseando a frase certeira sobre Londres, uma questão e ‘quando’.
Pacheco Pereira
Diário de Notícias, 14-07-05
Que a desintegração cultural e civilizacional – muito mais do que a marginalidade ou a pobreza – possa produzir uma duplicidade tão monstruosa é, sem duvida, um dos impactos mais perturbantes do terrorismo contemporâneo. (…) O desastre da aventura iraquiana está a minar a capacidade de resposta ocidental à ameaça terrorista e incendeia a paixão assassina e suicidária dos ‘loucos de Alá’ dentro da casa que Bush e Blair desejavam proteger a todo o custo. O cavalo de Tróia saiu da caixa de Pandora. Em Londres, os terroristas eram cidadãos britânicos para quem o inimigo mora ao lado e viaja com eles, todos os dias, de metro ou autocarro.
Vicente Jorge Silva
Diário de Notícias, 16-07-05
Os portugueses estão órfãos de Portugal. Não sabem para onde vai o seu país, sentem-se perdidos e desorientados. Perderam a fé na democracia.
D. Duarte
O Independente, 17-07-05
A situação é grave e estrutural, mas os portugueses não estão mobilizados nem preocupados com a competitividade. As pessoas querem é passar mais tempo na praia.
Fernando Ulrich
Expresso, 16-07-05
Os católicos que podem e gostam – como toda a gente que pode e gosta – vão para férias no Verão. Os padres – que já não são muitos – têm que se desdobrar para atender os que ficam e os que vão. A organização das paróquias e capelanias não se encontra coordenada com essa movimentação dos fiéis.
Bento Domingues
Público, 17-07-05«
