Na sociedade ocidental predo-mina a angústia mais ou menos recalcada frente à morte, que é negada e considerada um acidente que um dia a ciência talvez possa superar. A morte ideal é a “morte bela”. Morre-se só, a maior parte das vezes no hospital, sem a ajuda de uma palavra e de uma mão amiga. O luto foi abandonado e, por paradoxal que pareça, a morte, rejeitada, pode tornar-se obsessiva.
Anselmo Borges
Diário de Notícias, 29-10-06
Ver televisão é sempre ver “com”, mesmo que o espectador se encontre fisicamente sozinho. Escapar aos programas de maior audiência significa, de algum modo, “isolar-se”, “cortar-se” da conversa popular na rua, no supermercado, no café, no autocarro.
Mário Mesquita
Público, 29-10-06
Como poderá alguém defender-se convincentemente de um blogue anónimo que o acuse de pedofilia, tráfico de drogas ou qualquer outra coisa abominável?
Miguel Sousa Tavares
Expresso, 28-10-06
Sem liberdade, o diálogo de culturas é impossível: a razão será ditada pela força, em vez de a força se submeter à razão.
João Carlos Espada
Expresso, 28-10-06
O mundo tem medo do fim do mundo. Portugal tem medo do fim do mês.
Rui Tavares
Público, 28-10-06
Portugal é um país onde nunca há responsáveis. Podem-se procurar com uma lupa, mas, quando é preciso responder por algo que não correu bem, todos olham para o lado ou colocam-se o mais perto possível da porta de saída dos fundos.
Fernando Sobral
Jornal de negócios, 27-10-06
Os partidos têm o monopólio da representação popular e depois colocam-se acima de quem representam em matéria de deveres cívicos e políticos.
João Paulo Guerra
Diário Económico, 25-10-06
As chuvas e os ventos normais desta época fazem a prova dramática da incompetência de Portugal: um país que não sabe organizar o seu território, um país que não sabe construir casas, um país que, parece, a Natureza não elimina do mapa por mera piedade.
Pedro Tadeu
24 Horas, 26-10-06
Por que motivo há tantas adolescentes grávidas? Por que razão um terço dos casais portugueses tem apenas um único filho? Por que regrediu a natalidade ao ponto de não haver renovação de gerações? Qual o papel hoje da família? Tais são algumas questões (…), sobre as quais seria fundamental uma reflexão de fundo.
Esther Mucznik
Público, 27-10-06
