Fátima Felgueiras ri de quê? Provavelmente de todos nós. (…) Fátima Felgueiras, na óptica dos seus interesses, chegou no dia certo, foi conduzida ao sítio certo, obteve a sentença certa e conseguiu o que até há dias parecia impossível: anunciar-se de novo candidata, em quase total liberdade, ao mesmo posto que lhe valeu um processo em tribunal, acusando-a de 23 crimes, entre os quais peculato, corrupção passiva e abuso de poder.
Nuno Pacheco
Público, 23-09-05
Num país em que os partidos do arco do poder legitimam os trapaceiros que vivem da política, não é possível levar nada a sério.
Paulo Baldaia
Diário de Notícias, 24-09-05
O debate político nesta campanha eleitoral tem sido praticamente inexistente. A política foi reduzida ao seu grau zero: a insinuação brejeira sobrepôs-se à troca de ideias e todos os meios se justificam, quando o fim é ganhar. O pior é que, no fim, ninguém ficará a ganhar.
Amilcar Correia
Público, 24-09-05
A sociedade portuguesa, em todas as componentes, perdeu o respeito, o pudor, a consideração e os mais elementares propósitos éticos. Deixou de haver equabilidade – cimento com o qual se constrói o edifício do Estado.
Baptista-Bastos
Jornal de Negócios, 23-09-05
Os paradoxos da democracia existem e vão continuam a existir. Há sempre pessoas dispostas a votar em loucos, em populistas, em pessoas que fogem à justiça.
Ricardo Costa
Diário Económico, 23-09-05
Uma instituição como a nossa [Maçonaria] não está isenta de infiltrações, mas o que releva é que a grande maioria dos maçons são gente de bem, de honra e probidade, de tolerância e solidários. Somos, verdadeiramente, uma elite moral.
António Arnaut
Público, 24-09-05
O grande crime, bem guardado por um exército de advogados, consegue conservar uma ficção de legalidade: uma assinatura aqui, um despacho ali, uma conversa acolá – e as coisas correm docemente.
Vasco Pulido Valente
Público, 24-09-05
O que se passa na Alemanha diz-nos respeito e as notícias que de lá chegam estão longe de ser animadoras. Tal como o “não” francês no referendo ao projecto de tratado constitucional europeu, o empate alemão entre os dois partidos que há décadas alternam no poder é, não só uma garantia de continuação de crise económica na Europa, como sintoma de um mal-estar profundo para o qual não se vê remédio.
Fernando Madrinha
Expresso, 24-09-05
