Quando se lê [a lei do aborto, publicada em “Diário da República”], pergunta-se o que leva o Estado, que deve proteger a vida, a ter receio de dar directamente mais informação à mulher que quer abortar. Porquê tanto receio no aconselhamento? Porque é que o esclarecimento sobre os apoios do Estado à maternidade, e nomeadamente a possibilidade de adopção, é remetido para os folhetos?
Mas o que é intolerável mesmo é a isenção de taxas moderadoras para as mulheres que decidem abortar. Não é legítima a equiparação às grávidas e futuras mães, e é uma injustiça social, quando se pensa nos doentes que têm de pagá-las, sendo os mais pobres a pagar cada vez mais pe-los serviços de saúde. Porque não há apoios nos problemas da infertilidade?
Afinal – e isto é o mais grave – muita gente andou enganada: tinha sido dito que o referendo tinha como objectivo a despenalização, quando realmente a intenção parece ser liberalizar.
Anselmo Borges
Diário de Notícias, 07-07-07
O diálogo intercultural e inter-religioso revela o seu verdadeiro sentido quando, ao fim de algum tempo, é possível dizer com verdade: “Irmão, tu mudas-te muito e eu também”.
Bento Domingues
Público, 08-07-07
Portugal não ocupa, normalmente, as páginas da Imprensa mundial cinco linhas de notícias média/ano. Dito de outra forma: é muito raro Portugal ser notícia onde quer que seja. Este momento de seis meses [de presidência europeia] inverterá a situação.
José Leite Pereira
Jornal de Notícias, 04-07-07
A sorte do Governo é que, se a Europa correr mal, o campeonato de futebol começa já para o mês que vem.
Fernando Sobral
Jornal de Negócios, 04-07-07
As políticas sociais só andam na boca dos políticos em tempo de campanha. Depois, tudo o que vem, já no tempo do poleiro, é de corte radical de direitos.
Eduardo Dâmaso
Correio da Manhã, 06-07-07
Nenhum truque [para acabar com o terrorismo] dispensará a força – a força prudentemente usada, mas a força necessária para tornar evidente que a opção terrorista leva à prisão e não à glória, e que dirigir e albergar terroristas é o caminho para as grutas em montanhas remotas, e não para os palácios de qualquer capital.
Rui Ramos
Público, 04-07-07
