Gadinho pára choro de tragédia!…

Partilhando O mundo, no dia-a-dia, enche-se de acontecimentos. Hora-a-hora, o inesperado sucede e muitas vezes o jornalista não sabe ou não encontra tempo para fazer selecções e resumir este planeta a uma só linha. Um facto. E pelo critério de escolha se vai abarcando o mundo…

Ainda mal refeitos das tragédias dos fogos de Agosto, já com euros a procurar calar lágrimas ou a fazerem-se denúncias, quiçá inoportunas, surgem, em catadupa, autênticas imagens dantescas de novos fogos. E a pergunta, porventura sem resposta, ficar-se-á pela interrogação.

E nesta ambientação de nova tragédia deparamos com gestos belos, lindíssimos, significativos de um País que tem muitos defeitos, alguns criminosos, mas também tem gente de coração grande, muito grande, que sai do seu mundo e entra no universo da comunidade universal, não distinguindo cores, nem raças, nem credos e, muito menos, políticas, ou politiquices. E vemos uma Cáritas, uma Cruz Vermelha, órgãos da comunicação social e paróquias a engrossarem essa fila de solidariedade, instituições particulares ou ditas oficiais a ajudarem tudo e todos.

E neste resumo eu sintetizo duas notas, as que vêm do genuíno Povo.

Algures, lá no norte, em terra bem martirizada, alguém se lembrou de levar a algumas famílias que viviam da terra e para a terra do seu sustento umas reses de gado caprino.

As cabras berraram e as mulheres e homens surgem de entre os escombros tisnados, a acolherem, a abraçarem aqueles animais que vinham substituir os que ficaram queimados. Que belos gestos, estes, de um Povo que não se limita a ir pedir mais euros, porque estes não vão dar para as encomendas, se não houver generosidades deste cariz. Se não houver corações a palpitarem em cima das cinzas. Esta é a verdadeira solidariedade.

Outro gesto, que comoveu quem dele teve conhecimento, aconteceu nesta cidade dos canais: No fim-de-semana decorreu no largo da nossa Sé uma venda de produtos confeccionados pelos reclusos/as de toda a região aveirense. Foram muitas variedades de produtos, uns simples outros de sensibilidade regional, da nossa ria, dos nossos mares. Uma das peças que estiveram em exposição e à disposição de interessados, foi um barco feito de fósforos.

Tanta hora de paciência, tanta hora de criatividade! Obra-prima que bem merece ser peça de museu! Mas a nota tónica não é bem a peça em si, mas o acto de uma mãe e de uma irmã do recluso virem trazê-la ao local da exposição, atravessando a cidade sem vergonha, com coragem.

Os filhos são sempre filhos e muito mais quando estão em hospitais ou… nas cadeias. Estes gestos não são pagos por nenhum euro e muito menos pelo saudoso escudo das nossas epopeias de generosidades.