Gostar de não gostar

Ponta de Lança Este dilema linguístico, que diz muito sobre o estado emocional, transmite tudo, ou quase, sobre o que pode ir na alma de cada um quando confrontado com a crueldade de alguns factos.

Será isto o que se chama arrependimento?! É crível que não seja bem arrependimento. É uma mistura de arrependimento com gosto por se ter gostado. Inexplicável, provavelmente.

É que o arrependimento implica uma vontade deliberada de mudar de vida; uma determinação consciente e sincera de alterar as situações com implicação no futuro.

Não é bem o caso!

Na verdade, há outros sentimentos, outros conceitos emotivos, outras forças anímicas que nos impelem para apreciar muito, ou pouco, algo que temos de fazer ou experimentar. Há as coisas boas da vida – o bom e o belo têm, indicam em si, algo de subjectivo, isto é, que depende do sujeito (ou da sujeita!) que o expressa ou sente?! – e também há coisas menos boas e péssimas; umas provocadas pelo próprio, outras pelas circunstâncias dos tempos, e outras, ainda, pela precariedade dos elementos, como são os casos do comer, vestir, possuir, do perecível, da velhice, da morte… tudo momentos, ocasiões, que nos impelem para a luta pela sobrevivência, saciamento e bem-estar!

Ora, em bom-português-ligeiro, corrente, em linguagem falada, há alhadas, em que nos metemos ou mete, que gostaríamos de não gostar delas! Mas depois de lá estar, como sair garantindo a continuidade do bom e do belo da vida?!

Vamos a factos!

Quem não gostaria de ver o Benfica jogar em Aveiro, com o Beira-Mar?!

Toda a gente que goste de futebol, do “show biz” ou de outro “show” qualquer, gostará de ver o maior espectáculo do mundo (a seguir ao Circo! Porém, há ideia do Circo estar a ser ultrapassado no ranking. O futebol começa a ter mais variedades que o Circo e o Circo tem mais números de bola – coisa séria! – que o próprio futebol!?)!

Ora como o Benfica não autoriza (isto é que é o denominado empolamento dos factos!) que os adeptos e sócios vejam os jogos fora do Estádio da Luz, uma dúvida trespassa seis milhões de adeptos: porquê?

Será pelos erros do Benquerença (valerá a pena reflectir sobre a raiz do sobrenome!)? Não…

Ligas e ligações (perigosas)?! Não…

Ou será pela planificação falhada?! Não…

Pela corrupção visível (a acreditar em telefonemas, livros, testemunhos)?! Não…

Com receio dos adeptos começarem a assobiar a própria equipa?! Não…

Pelo clima de guerra que foi criado do Mondego para cima e na região do Algarve?! Não…

Ninguém viu nada, ninguém sabe de nada, tudo imaculado!? Então porque será?!

Força com a demagogia!

Há coisas que gostávamos de não gostar, não há?

Desportivamente…

…pelo desporto!