Os termos que classificam a situação nacional, sem alarmismos descabidos, não deixam, todavia, de se apresentar como em crescendo de pessimismo assustador. Frustração e falência nacional eram termos de opiniões públicas recentes. É arrepiante navegar nestas águas! Baixar os braços e desistir de continuar é garantia de morte!
Há – comprovadamente há! – intermináveis sinais positivos nos cidadãos, nos grupos, na sociedade portuguesa. Ainda ontem mesmo, no acto de posse dos novos corpos sociais de determinada instituição, pude constatar um espírito de autonomia, uma notável capacidade de iniciativa, liberta de subsidiodependência, provocadora, isso sim, das responsabilidades dos cidadãos e do Estado.
E é no domínio da solidariedade social, no domínio da educação, na área da saúde, na iniciativa empresarial… Bem sei que, algumas vezes, com interesses ocultos perversos! Mas há vida da sociedade civil, mas há capacidades reveladas, mas há projectos, mas há entregas generosas em busca bem comum, com marcas próprias e diversificadas, que podem fazer do panorama nacional não direi um tapete de rosas, mas uma policromia agradável e motivadora.
Era preciso, isso sim, que as altas instâncias acreditassem, de uma vez por todas, que os portugueses são de maior idade, que não fizessem de nós “coitadinhos”, para, cobrindo-se com a capa de protectores dos desfavorecidos, continuarem a promover o “paternalismo” estatal, que, sabemos bem, não é para benefício dos cidadãos, mas para proveito da vagas de sedentos do poder que geram teias de interesses das quais saem sempre com mais poder – ao político sucede-se, garantidamente, o económico.
É tempo de “ocuparmos” os areópagos que servem esses “donos da nação”, de içarmos as bandeiras da autonomia e da competência que arranquem as “máscaras” desses pseudo-salvadores, é tempo de mobilizarmos a “resistência pacífica” ao domínio dos profissionais da arte de enganar!… Porque os portugueses ainda são portugueses, porque ainda somos um povo capaz de segurar o leme para enfrentar os mares tenebrosos da crise, porque ainda temos raça, apesar das mestiçagens que connosco têm pretendido fazer, para nos diluir a identidade!
