Hierofanias

Ponta de Lança Merece especial atenção o debate, mais ou menos discreto, envergonhado, porventura, que o novo (desde os inícios de Setembro) presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, Dr. Mário Soares, vem promovendo, introduzindo, ou que os acontecimentos, como o encerramento dos noventa anos das aparições de Fátima e a dedicação da Igreja da Santíssima Trindade, ou a aprovação do novo Tratado da União Europeia (UE) – sobretudo no que dizia respeito à matriz cultural da Europa, por onde chegou a andar o cristianismo! – têm suscitado

Num espaço tão restrito como este, com a finalidade de fazer uma ponte com o desporto, esta matéria não é marginal!

Sobre o referido debate (contido), é consensual que a Europa é mais que cristianismo! Parece estranho, isso sim, que haja receio de se falar em confessional em ambiente de liberdade religiosa, onde as premissas são as da liberdade e diversidade!? Se o confessional amedronta a Comissão, esta fica esgotada logo aí! A não ser que se aceite, como subentendido, que a liberdade (para existir) é não existir em toda a sua plenitude: discernimento, decisão, filiação, pertença, isto é, confessional!

As hierofanias (apontadas por Mircea Eliade) podem ser uma chave de interpretação da peregrinação (só isto já é confessional!) que a humanidade interpreta e desenvolve no devir histórico! A ideia de caminho, por exemplo, pode ser tão transversal ao cristianismo (Eu sou o caminho, a verdade e a vida, Jesus Cristo) como às deslocações pré-históricas, por exemplo, no medo, na fuga, no espanto, na beleza, que as manifestações naturais provocavam no homem primitivo e seus sucedâneos projectadas como inacessíveis, superiores, transcendentais!

Com grande ênfase subjectivo, com intenção meramente ilustrativa, como podemos classificar a relação entre o adepto e o clube, os sinais de comunicação, a simbólica que envolve a linguagem (ídolos?!… um golo de outro mundo?!…, etc.)? Serão manifestações do natural? Transcendental? Imanente?

Estamos em crer (!) que a humanidade vive em permanente hermenêutica do sagrado (na conduta, nas relações, nos sinais,…), esse, o elemento estruturante das culturas e das civilizações?! … Da Europa também!

Desportivamente… pelo desporto!