Para que serve o nosso dinheiro?

1. Decorreu até há dias uma campanha lançada pela Maternidade Alfredo da Costa, no sentido de requalificar a nova unidade de cuidados intensivos, permitindo a aquisição de equipamentos para suporte de vida a bebés prematuros. Foi a chamada campanha 1 euro por uma vida, a que também se associou uma Fundação de uma importante empresa nacional.    

Espero bem que tenha tido sucesso e que a generosidade perante tão digno propósito tenha sido bem presente.

Os portugueses sempre responderam muito positivamente a estes gestos e é também sempre bom ver uma empresa associada através do mecenato ou de outro tipo de apoio a este tipo de iniciativas.

2. Mas há uma outra razão por que escrevo sobre este assunto. Prende-se com a minha perplexidade pelo facto de estarmos a falar de um pedido de dinheiro para um equipamento importante para a geração de novas vidas no principal estabelecimento de maternidade do Estado! Sim, do Estado!

O Estado que precisa (!) de lançar uma campanha de recolha de fundos para tão importantes meios de apoio à vida, é o mesmo que disponibiliza dinheiro para se fazerem abortos e quase se vangloria do número de abortos que paga ou subsidia em cada mês, desde que esta prática foi liberalizada por lei!

Repito: louvo a generosidade da campanha, mas acho uma vergonha que, num Estado onde se gasta dinheiro com tudo e mais alguma coisa, onde se quer crer que há dinheiro para TGV e Aeroportos, distribuição de computadores, milhões e milhões para programas que se acumulam e duplicam, onde há dinheiro para financiar clínicas do aborto e para comprar químicos abortivos para a própria Maternidade Alfredo da Costa…, que não haja uns “míseros” 100 000 euros (20 000 contos!!!), para um estabelecimento público poder adquirir equipamentos para salvar bebés prematuros, como incubadoras, ventiladores, “jet-ventilation” e bombas infusoras…

Ouvi há meses o Ministro da Saúde, pressuroso como sempre, a dizer que não haveria problemas de financiamento para as interrupções voluntárias de gravidez. Agora, não lhe ouvi uma palavra sequer sobre esta necessidade de equipamento para salvar vidas de uma maternidade que dele depende! Sinceramente, considero decepcionante este tipo de políticas, que se esconde na omissão, quando tão necessário é actuar e se exibe na desfaçatez, quando mandaria a prudência um maior recato.

Não se venha depois proclamar que se está preocupado com a demografia e a falta de nascimentos. O que se constata é um desprezo inconcebível pelos mais elementares e decisivos investimentos na defesa do direito à vida. Fecham-se maternidades onde, ironicamente e ao mesmo tempo, se convidam empresas a investir, reduzindo o IRC. Licencia-se e paga-se o florescente negócio das clínicas de aborto. Importamos abortos para Lisboa e exportamos nascimentos para Badajoz! A prioridade parece ser a morte, não a vida!

Sinceramente, por mais esforço que faça, não consigo entender tão incoerente actuação. Mas também me assusta que o país, adormecido, não se incomode com nada disto. Sinais dos tempos!