As políticas de conveniência redundam sempre em contradições, paradoxos, hipocrisias. Na procura de consolidar o poder e arrebanhar clientelas fáceis, são a tentação habitual de quem está ou quer chegar aos lugares, os quais, de serviço ao bem comum, se transformam facilmente em serviços a interesses particulares ou de grupos protegidos.
Se Saddam tivesse sido “aspirado” numa “clínica de vão de escada”, se tivesse sido dissolvido num qualquer caldeirão de punção mágica de curandeiro, provavelmente os líderes políticos não teriam tido a preocupação de vir a público declarar o seu repúdio pela pena de morte, em nome dos valores da democracia. Lutassem, em nome do direito internacional, para que fosse julgado no Tribunal Penal Internacional!… E as coisas estariam resolvidas a contento.
Todavia, são estes senhores que persistem, confundindo as mentes e deseducando os cidadãos, na feitura e promulgação de leis que consagram legalmente a pena de morte, num regresso a tempos de barbárie. Refiro-me, evidentemente, à legalização do aborto, da eutanásia ou de outras prováveis formas de selecção de raça.
Lendo testemunhos de pessoas que já recorreram a esta forma de pôr termo à vida de inocentes indefesos, em “clínicas de vão de escada” ou mesmo em hospitais pagos pelos contribuintes, algumas constantes se nos deparam. E a primeira – e mais importante – é a consciência de que aquele “filho” não era oportuno, aquela “criança” veio por falta de precaução, seria um “filho” ou “criança” a estragar projectos profissionais, amorosos, sociais.
A consciência trai a expressão… E lá foge a boca para a verdade! Tem-se a noção de que há uma “pessoa” vítima, em favor de interesses mais ou menos egoístas. E, não raras vezes, a conclusão posterior é de que, afinal, poderia ter sido até um bem para os intervenientes ter prosseguido a gravidez. Não restam dúvidas de que os próprios têm consciência de que provocaram uma morte…
Sem pena! E aí está a hipocrisia dos que se levantam contra a pena de morte, legislando-a, ao mesmo tempo, nos seus países!
Outra constante é a manifesta falta de educação para o amor, para a relação afectiva, para a vivência da sexualidade, desde os adolescentes aos adultos “formados”. A visão redutora da pessoa humana, da sua qualidade de ser em relação, da sua condição de ser sexuado, perverte o crescimento harmonioso, a educação, redundando em distorcidas relações afectivas, que contaminam o tecido social, resultando em formas de morte dos intervenientes e consequentes efeitos nocivos em terceiros.
Mais uma vez, a hipocrisia e a responsabilidade de quem perverte os processos educativos a saírem impunes, subindo à praça pública para defender essas “liberdades”, à custa das formas lentas de morte social! Mesmo que tudo isso contribua para carregar de nuvens densas o inverno demográfico que paira sobre muitos povos!
