À Luz da Palavra – XVI Domingo Comum – Ano C A Palavra deste Domingo convida-nos a apreciar o tema da hospitalidade e do acolhimento. Adverte, sobretudo, que a existência cristã é o acolhimento de Deus e das suas propostas e que a acção que realizamos a favor dos irmãos e irmãs há-de partir de um pessoal encontro com Jesus e da escuta da sua Palavra. É deste modo que encontramos o sentido da nossa acção e da nossa missão. Embora com matizes diferentes, as três leituras deste domingo destacam o valor do acolhimento que fazemos a Deus e aos seus emissários, com relevância para Jesus Cristo, a Palavra feita carne, que nos fala de diversos modos e nos confia diferentes missões.
A primeira leitura propõe-nos a figura do patriarca Abraão. Nele se apresenta o modelo da pessoa que está atenta a quem passa, que partilha tudo o que tem com o irmão e a irmã, que encontra no seu caminho, e que descobre nos hóspedes que entram na sua casa a figura do próprio Deus.
A segunda leitura apresenta-nos a pessoa do apóstolo Paulo, para quem Cristo, as suas palavras e as suas propostas são a referência fundamental, o centro a partir do qual constrói toda a sua vida. Para Paulo o que é necessário é “acolher Cristo” e alicerçar toda a vida sobre os valores evangélicos.
O evangelho apresenta um outro quadro de hospitalidade e de acolhimento de Deus. Mas sugere que acolher Deus na nossa casa não é embarcar num activismo desordenado, mas sentar-se aos pés de Jesus, escutar as propostas que nele o Pai nos faz e acolher a sua Palavra.
Ao aproximar o evangelho da primeira leitura, percebemos um forte paralelismo. Tanto Abraão e sua esposa, Sara, como as duas mulheres, Marta e Maria, manifestaram uma profunda alegria pela visita que Deus lhes faz e envidaram todos os esforços, para que o divino hóspede fosse tratado com o melhor que havia em casa. Abraão “escolheu um vitelo tenro e bom e entregou-o a um servo para o preparar”, enquanto Sara “amassa e coze uns pães na brasa”, confeccionados com a flor da farinha. Marta, talvez a irmã mais velha, “atarefava-se com muito serviço” para preparar a hospedagem e a refeição de Jesus. Acolher Deus na pessoa de Jesus Cristo, seu Filho, que nos falou do mistério que estava oculto e que agora foi manifestado, isto é, de Cristo no meio de nós, esperança da glória, e dar a conhecer este mistério, constitui a essência do ministério de Paulo, descrito na segunda leitura.
O acolhimento a Deus, que passa pelas nossas vidas, tema central da palavra deste Domingo, desperta-nos à revisão do nosso modo de O acolher, tanto no íntimo do nosso coração, como quando Ele se nos apresenta na figura do irmão e da irmã, em qualquer situação. Neste Domingo, à luz da Palavra, peçamos ao Senhor que nos dê um coração terno e um olhar límpido e acolhedor para que nos apercebamos das suas visitas, sobretudo quando Ele se esconde na irmã e no irmão desfigurados, no miserável ou no triste, no doente, drogado ou alcoólico, no antipático, no importuno ou no inimigo.
XVI Domingo Comum: Gn 18,1-10; Sl 15 (14),2-3-4ab.5; Cl 1,24-28; Lc 10,38-42
Deolinda Serralheiro
