Revisitando o Vaticano II O Bispo de Aveiro decidiu, profeticamente, traçar a orientação pastoral para os próximos três anos na perspectiva de recentrar a acção da Igreja, tonificada pela Eucaristia, no sentido do serviço à Pessoa e ao Mundo. Testemunho de Jesus Cristo, no mundo concreto, como serva e sem pretensões de dominação, ao lado dos mais pobres e tudo fazendo para reconstruir o tecido familiar. Sempre numa atitude de busca, de perscrutar os sinais de Deus nos problemas dos homens; sempre numa atitude de amor por esta Pessoa, por este Mundo que Deus ama!
Ocasião, mais uma vez, para visitarmos alguns parágrafos da Gaudium et Spes. Sobretudo a propósito daqueles que, anteriormente designámos como os grandes desafios dos nossos tempos à Igreja de Jesus Cristo. E um deles, porventura o mais grave, é o individualismo, descarado ou disfarçado, que atravessa corações e instituições. Quando nos aproximamos de actos eleitorais importantes, perante aparentes disponibilidades para servir a causa pública, que, as mais das vezes, se transformam nos favores a clientelas de amigos e correligionários, vejamos, por exemplo, a que nos incita o n.º 31 da GS.
“Para que cada homem possa cumprir mais fielmente o seu dever de consciência, quer para consigo, quer para com os vários grupos sociais de que é membro, deve ser diligentemente educado para uma maior largueza de espírito”… Tudo começa, na verdade, na educação, na educação para ver muito para além do próprio umbigo! A educação dos jovens tem de ser projectada não apenas para lhes conferir competências de pessoas cultas, mas personalidades fortes, aptas para assumir as exigências do nosso tempo.
“Mas o homem chegará muito dificilmente a este sentido de responsabilidade, se as condições de vida não lhe permitirem tomar consciência da sua dignidade e corresponder à sua vocação, empenhando-se no serviço de Deus e do próximo”. Esta é outra grave questão: desde os meios de comunicação social até às comunidades educativas, ou se promove a descoberta da dignidade pessoal, das qualidades que se têm, das necessidades sociais a que cada um pode prover, para que cada um esteja no seu lugar, ou se deformam quantos têm de ser os protagonistas da sociedade.
“É que a liberdade humana com frequência se enfraquece, quando o homem cai em extrema miséria, do mesmo modo que se degrada, quando o homem, condescendendo com as demasiadas facilidades de vida, como que se encerra numa solidão doirada”. A construção da pessoa, a educação para a liberdade, reclama patamares indispensáveis de condições de vida; como reclama também hábitos de sobriedade e de partilha.
Nessa altura, estão criadas as condições de estímulo para participar em empreendimentos comuns. Não será preciso gastar tanto tempo nem tantos recursos económicos, para que a maior parte dos cidadãos participe, com inteira liberdade, na vida pública. “Para que todos os cidadãos se sintam impelidos a participar na vida dos vários grupos, que compõem o corpo social, é necessário que encontrem nesses grupos valores que os atraiam e os disponham ao serviço dos outros. Podemos legitimamente pensar que o futuro da humanidade está nas mãos daqueles que souberem dar às gerações vindouras razões de viver e de esperar”. É isso: Educação com valores! Propostas eleitorais com valores! Projectos de reconstrução nacional com valores! Igreja disponível e incansável no anúncio dos valores evangélicos!
