À Luz da Palavra – XXVI Domingo do Tempo Comum – A A liturgia da Palavra realça o facto de que Deus chama todos os homens e mulheres a envolver-se na construção do mundo novo, feito de justiça, de paz e de pão para todos. Diante desta chamada de Deus, cada pessoa pode dizer “sim” e colaborar com Ele, ou dizer “não” e escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus, o qual há-de ser traduzido em acções concretas a favor da construção de um mundo melhor, onde a paz, a justiça e a fraternidade sejam pão para todos.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel convida os israelitas exilados na Babilónia a comprometerem-se de forma séria e consequente com Deus. A nós, esta leitura exorta-nos a tomar consciência de que o compromisso assumido no dia do nosso baptismo nos envolve, pessoalmente. Actualmente, há dificuldade em assumir compromissos e em ser coerente com eles. Tudo se relativiza, até as promessas mais sagradas, como o matrimónio e a consagração a Deus. Assumir os nossos compromissos pessoais na construção da comunidade e do mundo significa sentir-se solidário no bem e no mal e não aligeirar a carga quando as coisas correm mal, atirando as culpas para as estruturas ou para as pessoas mais responsáveis.
O evangelho conta a parábola dos dois filhos: um que disse “não”, mas obedeceu; e outro que disse “sim”, mas desobedeceu. Jesus tinha diante de si os gentios, simbolizados no primeiro filho, e os judeus, simbolizados no segundo. Os segundos, cumpridores da lei de Deus, rejeitaram o Messias, que lhes foi enviado pelo Pai, ficando seus adversários; os primeiros, publicanos e mulheres de má vida, desconhecedores da lei de Deus e pecadores, aceitaram Jesus e a sua mensagem de amor, tornando-se seus discípulos. O “sim” que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas, mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores e com o seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que “dá boa impressão”, que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais, mas é aquele que cumpre, na realidade da vida, a vontade de Deus.
A segunda leitura apresenta aos cristãos de Filipos, actual Macedónia, e a nós também, o exemplo de Cristo. Desta leitura, que coroa a Palavra deste domingo, podemos reter na memória do coração o hino cristológico, que ela contém, para que cultivemos entre nós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus: Ele que tem o próprio ser de Deus, esvaziou-se (sem perder a condição divina), fazendo-se homem e servo de todos, e rebaixou-se pela sua paixão e morte. Por isso, foi exaltado e constituído Senhor de todos os seres visíveis e invisíveis. Esta é a lógica de Deus: Só pelo caminho da humildade e do amor fraterno nos tornamos grandes aos seus olhos. Os cristãos e as cristãs são chamados por Deus a seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projectos, por amor.
Leituras do XXVI Domingo Comum: Ez 18,25-28; Sl 25 (24), 4-9; Fl 2,1-11; Mt 21,28-32
Deolinda Serralheiro
