Igreja plural num futuro pluralista

23º Colóquio Europeu de Paróquias “A Igreja plural não tem que temer um futuro pluralista” – é a principal conclusão do 23º Colóquio Europeu de Paróquias. O encontro decorreu em Erfurt, Alemanha, de 17 a 22 de Julho, e reuniu 220 participantes de 17 países europeus. Participaram 13 portugueses de cinco dioceses. De Aveiro participou o Pe José Manuel Pereira.

“A pluralidade é um facto, tanto na Igreja como na sociedade”, afirmam os participantes, pelo que “os cristãos sentem-se naturalmente à vontade com a pluralidade, sinal do universal desde o acontecimento do Pentecostes. Na fidelidade ao Espírito do Pentecostes, colocámo-nos na dinâmica da esperança que propicia a promessa do livro do Apocalipse: «Eis que faço novas todas as coisas» (Ap 21,5)”.

Na base da reflexão do encontro, esteve o texto conciliar Gaudium et Spes (sobre a “Igreja do Mundo Contemporâneo”), que estabelece um novo modo de entender a relação Igreja/Mundo, baseado na confiança e no serviço, como preconiza no nº 3 desse documento, que está a completar 40 anos: “A Igreja não pode manifestar melhor a sua solidariedade e amor para com a família humana na qual está inserida, do que estabelecendo com ela diálogo sobre os vários problemas, oferecendo a luz do Evangelho e pondo à disposição do género humano as energias salvadoras que a Igreja, conduzida pelo Espírito Santo, recebe do seu fundador.” GS 3).

Questão em foco, nesta cidade da antiga Alemanha Oriental, foi a diferença da vivência cristã no Ocidente e no Oriente: “A pluralidade das situações em que se encontram os cristãos do Leste e do Oeste coloca a questão de uma busca pastoral comum. A situação vivida por um lado pelos cristãos da Europa de Leste, do tempo dos regimes políticos ateus, como aquela que vivem hoje os cristãos em situação de diáspora, e ainda a situação de descristianização ou de indiferença vivida pelos cristãos da Europa ocidental, convidam os cristãos a serem fiéis ao Evangelho. A Igreja de Jesus Cristo é, então, um fermento na massa. A fé cristã é um mosaico, um diamante: É a luz que recebe ou que transmite que a faz brilhar”.

Os participantes do 23º Colóquio Europeu defenderam também uma cultura de respeito: “A pluralidade das ideias, das opiniões, das experiências, das competências, é uma riqueza tanto em si mesma como para as comunidades paroquiais”. Porque o Espírito levou os discípulos a “acolher as nações pagãs na Igreja”, as conclusões do encontro, no último ponto, apelam à abertura à criatividade do Espírito, que faz a Igreja uma “Koinonia”, isto é uma comunhão.