O Congresso reuniu responsáveis dos jornais e revistas ligados à Igreja Católica, para sublinhar os valores de sempre, mas com uma aposta clara no marketing, nas novas tecnologias, nas parcerias e na profissionalização.
“A imprensa cristã, assente num jornalismo de valores, na relação de “proximidade” e “independência”, deve suscitar o debate, promover o esclarecimento da opinião pública e educar para os Media, exercendo a sua função social”. Esta foi uma das principais conclusões do 6º Congresso da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIC), reunido em Turcifal, de 23 a 25 de Março de 2006, para reflectir sobre o tema “Imprensa de Inspiração Cristã, Novos Caminhos”.
Jornalistas, directores e administradores de jornais e revistas ligados à Igreja Católica preconizaram a “inovação permanente”, para corresponder aos “tempos de mudança e crise”. No entanto, essa inovação deve estar alicerçada nos valores que [a imprensa de inspiração cristã] defende, com uma atenção particular ao outro.
Questão de bom senso
No Congresso, perto de Torres Vedras, defendeu-se uma aposta clara no marketing. “Quem manda no mercado são os consumidores”, afirmou Carlos Liz, director-geral da APEME (uma empresa de estudos de mercado). “Falar de marketing é começar por falar do consumidor, é pôr o acento tónico na procura”, disse. Perguntas como “Quem são os nossos leitores? De que precisam? A que aspiram?” devem ser colocadas por cada título de jornal ou revista. Utilizar o marketing “é uma questão de bom senso”, disse Carlos Liz.
No mesmo sentido, nas conclusões finais do Congresso da AIC, pode ler-se: “Os novos tempos exigem uma resposta adequada à falta de organização comercial, com uma estratégia baseada no marketing directo. Os órgãos de comunicação social de inspiração cristã devem apostar no mercado das assinaturas, para fidelizar os leitores e aumentar as vendas efectivas”. E ainda: “Os órgãos de comunicação de inspiração cristã devem conhecer o consumidor dos seus produtos, de forma a potenciar a comunicação através do marketing. Importa ainda que estabeleçam parcerias, para vender melhor, no mercado de publicidade, o valor e a vantagem competitiva desta imprensa”.
O congresso sublinhou, por outro lado, a importância de “conquistar novos públicos, especialmente jovens” e de “reforçar a profissionalização e a formação integrada sustentada nas novas tecnologias, como a presença na Internet, e estabelecer parcerias que tornem o produto jornalístico com maior qualidade”.
