O Museu Etnográfico de Aradas, situado no piso superior do Centro Cultural de Aradas, foi inaugurado no dia 30 de Junho, evento que culmina cerca de cinco anos de recolha de centenas de peças numa acção dinamizada pelo Grupo Recreativo, Etnográfico e Folclórico de Aradas (GREFA).
José Manuel, presidente da direcção do GREFA, realça que o “Museu pertence ao GREFA, pertence à Junta de Freguesia de Aradas, pertence a toda a freguesia. Embora nós sejamos os detentores deste espólio, o museu é de toda a freguesia”.
A abertura do museu é o resultado de um trabalho iniciado há cinco ou seis anos, quando “algumas peças andavam por aqui, em risco de se perderem. Com a ajuda do actual tesoureiro da Junta de Freguesia de Aradas, que tinha várias coisas, fizemos um esforço para angariarmos mais peças”, sublinha José Manuel.
Se o GREFA dinamizou a recolha das peças, a colaboração da população de Aradas foi essencial para o sucesso da iniciativa, uma vez que “quase todas as peças foram doadas ao GREFA”. Apesar disso, José Manuel garante que, “se um dia o GREFA terminar, tudo isto reverterá a favor da Junta de Freguesia de Aradas. Tudo está numerado, inventariado, para que nenhuma peça possa sair daqui para fora”.
O recheio de museu é bastante diversificado, onde estão representados os sectores domésticos (nomeadamente a cozinha e o quarto de dormir), profissionais (entre os quais o sapateiro e o oleiro), agrícolas (com destaque para a eira, a adega e os arados), entre centenas de peças, desde as louças às ferramentas, passando pela iluminação (eléctrica e a “petróleo”) e bombas de água. A peça mais antiga do museu é uma bomba de água, datada de 1863.
A par do espólio etnográfico, o Museu acolhe também uma grande quantidade de documentos, jornais, livros, selos, notas e até “letras comerciais muito antigas. Temos de 1906, de dois centavos”. No museu também estão expostos alguns dos trajes do GREFA, trajes que fazem parte de um enorme conjunto, mas que, pela sua quantidade e diversidade, não pode ser exposto na totalidade.
Numa sala mais pequena, anexa ao museu, o GREFA tem a “sala dos troféus”, onde guarda e expõe «a história do grupo”, como diz José Manuel. Ao longo dos 17 anos de existência do grupo, já fizemos mais de mil actuações e, normalmente, em cada actuação recebemos um troféu, temos ali mais de mil peças, que também resolvemos expor, mas que separámos do restante museu, para não misturarmos essas peças modernas com as peças antigas do museu”.
O espaço onde se encontra o museu é pequeno, não permitindo uma boa exposição das peças. Como no próximo ano lectivo irão encerrar quatro escolas primárias na freguesia, José Manuel tem esperança que o GREFA consiga a cedência de uma dessas escolas, processo que já está em curso, em colaboração com a Câmara Municipal de Aveiro e a Junta de Freguesia de Aradas.
Inicialmente, o museu estará aberto gratuitamente um domingo por mês. No próximo ano lectivo, será feita a sua divulgação junto das escolas do concelho, para acolher visitas também durante a semana.
