O Correio do Vouga inicia hoje a publicação de “Roteiros de Férias”. Até à primeira semana de Agosto, por estas páginas passam sugestões de percursos e actividades a desenvolver na região de Aveiro. Servem para qualquer época do ano, mas talvez nesta altura haja mais disponibilidade para descobrir pequenas e grandes riquezas que a região oferece e que por vezes são ignoradas. Hoje apresenta-se a primeira parte do “Roteiro das Artes Tradicionais”. Na próxima semana, o mesmo roteiro passa por Aveiro, Sever do Vouga e Pardilhó. No dia 18 de Julho, apresenta-se o “Roteiro dos Santuários”. No dia 25 de Julho, segue-se o “Roteiro dos Museus” (menos conhecidos). No dia 1 de Agosto, última edição antes das férias do Correio do Vouga, sugerem-se percursos pedestres.
O artesanato é um factor representativo da cultura e da arte popular. O roteiro que hoje apresentamos dá a conhecer diversas vertentes do artesanato da região aveirense e alguns dos artesãos que confeccionam esses produtos.
Por terras
de Ílhavo e Vagos
No concelho de Ílhavo, a primeira paragem tem lugar na Gafanha da Nazaré (Rua Nuno Gonçalves, 11), na oficina de José Leão, artesão que se dedica a produzir artísticas e originais velas decorativas, peças em que conjuga cera (com as mais diversas cores e aromas), barro (grés) e madeira, a que junta conchas, bambu, cordas, pedras e outros materiais. Se o design dessas peças já é original, o artesão executa “velas” com centenas de quilos de peso e mais de um metro de altura.
No centro da cidade de Ílhavo (Rua de Camões, 75 / EN 109), encontramos a “Casa dos Cestos”, espaço onde Luísa Gonçalves e Júlio Almeida Melo confeccionam cestos e outras peças de cestaria (incluindo mobiliário e peças de decoração), onde seguem as tradições cesteiras da aldeia de Gonçalo (próximo da cidade da Guarda), de onde ambos são naturais.
O itinerário segue agora em direcção a Vale de Ílhavo, para uma paragem no nº 102, da Rua Prior Valente, onde José Alberto Malaquias Ferreira faz miniaturas de barcos, sobretudo antigos veleiros usados na pesca do bacalhau, que coloca dentro de garrafas de vidro. Os barcos são introduzidos nas garrafas pelo gargalho, com os mastros e o velame completamente arreados, que depois são erguidos dentro da garrafa, à custa de um paciente e minucioso trabalho.
O centro de Vale de Ílhavo é a paragem seguinte. Aqui, a paragem pode acontecer em qualquer uma das mais de dezena e meia de padeiras que se dedicam a confeccionar as típicas padas de Vale de Ílhavo, a que se juntam os folares (ou pão doce), o pão com chouriço e o pão com bacalhau. A qualidade deste pão motivou a criação da Rota das Padeiras, dinamizada pela Câmara Municipal de Ílhavo.
Na Vista Alegre, recomenda-se uma paragem no atelier de Fátima Oliveira (numa das lojas do Intermarché), para apreciar a bijutaria criada por esta artesã, muito em especial a bijutaria infantil e juvenil. São peças com muita cor e alegria, de que são exemplos as séries de palhacinhos e de bichinhos.
O circuito pelas terras do sul da ria termina na Rua Direita, frente à Capela de S. Sebastião (ou do Senhor dos Passos), em Sosa, no espaço onde funciona a “Honor Arte” – Associação Artística e Cultural de Sosa. Nesse local, nas noites de terça-feira e de sexta-feira, reúnem-se as artesãs da associação, para executar trabalhos muito diversos, nomeadamente as quase extintas renda chilena e renda frioleira.
Oliveira do Bairro,
Anadia e Águeda
A primeira etapa na Bairrada conduz-nos a Oiã (Rua das Alminhas da Moita, em Agras de Baixo), para conhecermos o trabalho de Mário Gonçalves, artesão que produz brinquedos, jogos didácticos (puzzles e outros) e mobiliário infantil em madeira, com design simples, com muita cor, bem ao gosto das crianças.
Ainda no concelho de Oliveira do Bairro, no lugar de Silveiro, recomenda-se uma visita aos locais de trabalho de Maria Rosa e de Maria Augusta, duas artesãs que ainda se dedicam a fazer as tradicionais esteiras em palha, com folhas secas de atabua e de bonho, tecidas em rudimentares teares.
A paragem seguinte tem lugar em Sangalhos, onde Lara Roseiro se dedica à criação artesanal de mosaico artístico. O mosaico é uma ancestral técnica decorativa que foi adaptada à época actual. A artesã usa pequenos “cacos” de azulejos, com diferentes cores e desenhos, para elaborar as suas composições artísticas.
O périplo pela Bairrada termina em Águeda, na oficina de António Soares, sita na Rua dos Caldeireiros. Este artesão transforma restos de madeira, pinhas e pontas de ramos, em peças decorativas, em que as “peças de marca” são as noras, as flores de cravo, as caravelas, as borboletas e os moinhos de vento.
