Questões Sociais A crise actual poderia ser aproveitada para a congregação de esforços na procura das soluções necessárias. Porém, até este momento, vêm prevalecendo os desentendimentos, que agravam os diferentes tipos de insensibilidade social. Cada grupo de interesses considera-se extremamente sensível aos problemas sociais, e compraz-se no maniqueísmo fanático: Identifica-se ele próprio com o bem, e transfere para outros a responsabilidade pelo mal que vai acontecendo. Tudo seria bem diferente se as insensibilidades se transformassem em sensilidades, reconhecendo que nenhuma detém o exclusivo das soluções e que todas podem (e devem) cooperar entre si.
Defrontam-se, pelo menos, sete insensibilidades: A política, a tecnocrática, a económica, a institucional, a assistencial de base, a contestatária e a mediática. Segundo a insensibilidade política (de esquerda e de direita), os problemas sociais resolvem-se através de medidas de fundo, gerais e dispendiosas; a acção social de proximidade e a co-responsabilidade são olhadas sobranceiramente. Segundo a insensibilidade tecnocrática, os problemas resolver-se-iam através de mais investigação, de mais técnicos bem remunerados e do respeito pelas suas propostas. Segundo a insensibilidade económica, as soluções adviriam do crescimento económico.
Para a insensibilidade institucional, elas adviriam da existência de mais instituições de acção social, mais autónomas e mais apoiadas pelo Estado. Para a insensibilidade assistencial de base, os problemas resolver-se-iam através da solução de cada caso particular. Esta insensibilidade dispensa-se de fichas, de estatísticas, de relatórios, de articulações regulares…; tudo isto é considerado inútil e cúmplice de estruturas político-tecnocráticas dispendiosas.
A insensibilidade contestatária alimenta-se do descontamento e da denúncia, alija responsabilidades, e tanto condena a falta de soluções como as tentativas solução, sempre consideradas insuficientes. A insensibilidade mediática, através dos meios de comunicação social, dá guarida a todas as outras, toma partido a favor das que mais lhe convêm e apresenta-se como instância última da consciência colectiva. Transmite a mensagem subliminar, infantil, de que os problemas sociais deixariam de existir, se todos os que são noticiados fossem resolvidos e se todas as propostas difundidas fossem executadas.
