Integração de deficientes no trabalho é boa para todos

Direitos Humanos São deficientes. E sabem disso. Mas não são inactivos. Sabem que trabalhar faz bem. Esforçam-se. É o caso do Augusto, a fazer “croissants” há cinco anos na pastelaria Latina: “Faço tudo bem. Se há uma falha, se alguma coisa está mal, eu refilo e o patrão dá-se razão”. O patrão, José Francisco, ao lado na “Conversa com … Olhares Diferentes”, corroborou as palavras do seu empregado: “Eles precisam de incentivo verbal e cansam-se um bocadinho, mas mecanizam bem as regras e são perfeitos no seu trabalho”.

A “Conversa”, integrada numa semana sobre a responsabilidade da comunidade na integração de pessoas com deficiência, reuniu na Casa Municipal da Juventude, no dia 10 de Dezembro, deficientes que estão a trabalhar e respectivas entidades empregadoras. E embora se notasse que nem todas as deficiências são iguais, sublinhou-se que a integração na comunidade de trabalho é benéfica para empregados, patrões e empresa. De facto, pessoas como os intervenientes Mira Fonseca (não tem braços), funcionário na Indasa, ou Jorge Anjos (invisual), telefonista da Universidade, desenvolvem primorosamente os seus trabalhos. Têm deficiências que não requerem acompa-nhamento especial. Pelo contrário, podem ser eles – e são – os líderes nos seus trabalhos.

Já os deficientes mentais normalmente requerem o acompanhamento de monitores ou de funcionários das respectivas empresas. No entanto, “são pessoas de produtividade normalmente elevada”, notou Augusto Marques, do Centro de Emprego, que sublinhou ainda que “o Estado proporciona às empresas empregadoras de cidadãos com deficiência incentivos ficais”. Aspecto muito referido na “Conversa” foi a humanização das relações que um cidadão portador de deficiência proporciona numa empresa. É bom para todos.