Verbo
Deus como interrogação
na poesia portuguesa
Assírio & Alvim
232 páginas
14,40 euros
Pedro Mexia e Tolentino Mendonça escrevem na “Explicação” introdutória desta antologia que “Deus existe, na poesia como na vida, em modo interrogativo, mesmo para quem tem fé”. E apresentam-nos neste volume 13 autores portugueses que são “poetas com uma questão, com uma pergunta que nunca está respondida”, todos eles representados com cinco a 15 poemas. São eles: Vitorino Nemésio Ruy Cinatti, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, José Bento, Ruy Belo, Cristovam Pavia, Pedro Tamen, Armando Silva Carvalho, Carlos Poças Falcão, Adília Lopes e Daniel Faria.
Poderiam ser outros os poetas, mas os antologiadores explicam porquê estes. Primeiro, há as balizas temporais. Os autores nasceram entre 1901 e 1971, de Vitorino Nemésio (1901-1978) e Daniel Faria (1971-1999). Depois, ficam de fora todos os que apenas aludem ao cristianismo, caso contrário a antologia teria uma centena de autores, bem como os poetas em que o motivo cristão é apenas alegórico ou até “linguístico” e “três ou quatro poetas canónicos”. “Pareceu-nos que interessava mais a ideia de «questão», questão dos poetas consigo mesmos, quer se tratasse de fé, angústia, recusa, apostasia, incompreensão, revolta ou prece”, explicam (pág. 11). E há, claro, co gosto pessoal de quem escolheu, “que é sempre um bom critério em antologias”. Em qualquer caso, para crentes e não crentes, este é o melhor livro dos últimos tempos para “pensar” Deus. Ou, como estamos na Quaresma, para nos interrogarmos, por exemplo, porque é que “a tua cruz senhor é pouco funcional / não fica bem em nenhum jardim da cidade” (Ruy Belo, pág. 127).

