Irmãs de São José de Cluny comemoram bicentenário

As Irmãs de São José de Cluny estão de parabéns. Enquanto os aveirenses – da cidade e da diocese – comemoram a festa da padroeira, nas comunidades de São José de Cluny comemora-se o bicentenário da fundação da congregação.

Foi no dia 12 de Maio de 1807 que Ana Maria Javouhey e mais oito jovens (três delas irmãs de sangue de Ana Maria) tomaram hábito na igreja de Châlon-sur-Saône (Sul de França), dando início a uma nova família religiosa.

Na diocese de Aveiro, as Irmãs de São José de Cluny têm três comunidades: duas em Famalicão (Anadia), uma com 15 membros e outra com 11, onde são responsáveis por um colégio e um jardim-de-infância, e uma na Gafanha da Boa Hora, com 4 irmãs que trabalham na paróquia.

Ir. Maria Eugénia, superiora da comunidade que tem a seu cargo o Colégio de Nossa Senhora da Assunção, relatou ao Correio do Vouga a história da fundadora, como a jovem Ana Maria, nos tempos da Revolução Francesa, pegava no tambor e convocava as crianças para a catequese e para ensinar-lhes a ler, ou dava apoio a padres refractários que eram perseguidos se não jurassem a Constituição revolucionária de 1792… “As primeiras nove religiosas professaram em 1807. E, quando eram penas 15, cinco partem para a Ilha Bourbon. A própria Madre Javouhey vai para o Senegal, Gâmbia, Serra Leoa. Mais tarde, na Guiana Francesa [junto ao Brasil], é responsável pela libertação dos primeiros 500 escravos”, relata Ir. Maria Eugénia. Quando a Madre fundadora morre, em 1851, a congregação já tem cerca de mil religiosas. “Foi uma expansão muito rápida, porque somos uma congregação polivalente. Estamos na educação, na evangelização directa, no tratamento de doentes, tínhamos leprosarias…”, afirma Maria Eugénia, que antes de estar no Colégio de Famalicão – foi directora pedagógica até há dois anos – passou pelas missões de Moçambique. “O lema da fundadora era ‘Estar em toda a parte onde há bem a fazer e sofrimento a aliviar’. Foi isso que fez e é essa frase que está a inspirar as comemorações do bicentenário”, acrescenta.

As Irmãs de São José de Cluny chegaram a Famalicão em 1922. No início ensinavam costura, bordados e outras artes a mulheres da localidade. Como elas levavam os seus filhos, as Irmãs criaram a “classe gratuita” para ensinar as crianças. É este episódio que está na origem do prestigiado Colégio de Famalicão.

J.P.F.

Comemorações em Famalicão

200 balões com mensagens de paz

Em Famalicão, no dia 12 de Maio, a comunidade religiosa abre as portas durante a tarde, para todos poderem visitá-la. Às 17h, celebra-se uma Eucaristia de Acção de Graças e faz-se uma largada de 200 balões, um por cada ano da congregação. Os balões levam mensagens de paz escritas pelos alunos das escolas que as Irmãs têm um pouco por todo o mundo (estão nos cinco continentes, em 50 países). Depois da largada, segue-se uma coreografia e um pequeno lanche.

Estão convidados para a festa toda a comunidade educativa (alunos e seus familiares, professores e funcionários), bem como os antigos alunos.

Em todas as escolas orientadas pelas Irmãs faz-se uma largada de balões similar.

A nível nacional, o encerramento das comemorações do bicentenário está marcado para 27 de Maio, em Fátima.