Isto no ME está longe de andar bem

Uma pedrada por semana Li com o maior interesse o longo artigo de Maria Filomena Mónica (Público, 2 de Julho de 2008) que, com a sua habitual acutilância, escreveu sobre os exames de Português a que foram sujeitos os alunos do 9º, 11º e 12º anos das nossas escolas. Espero que, com igual interesse, o tenham lido também a Senhora Ministra e os seus Secretários, especialmente o Dr. Valter Lemos, bem como as equipas do Ministério da Educação (ME ) que estiveram comprometidas na feitura dos textos de exame.

Há coisas que são mais que sabidas, como o facciosismo político que domina o Ministério e o reducionismo ideológico que por lá reina e que se manifestam na teimosia em impor José Saramago à gente nova, bem como nas perguntas tendenciosas que predeterminam a orientação das respostas. Mas isto só se cura com uma limpeza que ponha, em lugares de responsabilidade, gente culta e séria, não agrilhoada nem vendida a interesses, que perceba que nunca resiste ao tempo a fruta tocada. As gerações futuras têm direito a ser tratadas com honestidade e exigência.

Preocupação não menor nos traz MFM ao analisar os textos de exame e o modo de os alunos os tratarem com regras impostas e sem qualquer lugar para a criatividade e, finalmente, os critérios e ordens dados pelo ME aos professores “escolhidos “para avaliar e quantificar… Que tristeza! Trata-se da língua mãe, não de uma disciplina qualquer. Não há direito!

Tudo isto precisava de debates generalizados por todo o país, onde se pudesse soltar tanto o saber, como a indignação, de pais responsáveis, de professores livres, de cidadãos preocupados… Mas os exames já lá vão e só se pensa na nota e, depois, nas férias…

Um país cada vez mais castrado e, quando assim se trata a educação, um país sem futuro à vista.

António Marcelino