Cerca de 100 jovens responderam ao convite do Secretariado para um sábado à volta da formação. Cantou-se que “Jesus está sempre na moda”
Dançou-se no auditório do ISCAA. Só por uns instantes, mas ainda deu para abanar o corpo ao som de “Jesus is always on fashion” (“Jesus está sempre na moda”), cantado por José Pedro Negrão e restante auditório, sobre uma faixa pré-gravada. O momento “bobagem” aconteceu na manhã de sábado, dia 14, no encontro que congregou cerca de 100 animadores de grupos de jovens cristãos (ver notícia na página 5).
Ao final da manhã, falou-se do uso da arte nos grupos de jovens. A arquitecta Marta Peixoto deu algumas pistas sobre como o ambiente físico pode criar condições de acolhimento. José Pedro Negrão, professor no Colégio de Famalicão (Anadia), incentivou o uso da canção-mensagem. Sónia Neves, jornalista, alertou para algumas ratoeiras e vantagens da publicidade. Antes, o P.e Francisco Melo falara sobre a importância dos grupos juvenis cristãos e a seguir o P.e Rui Barnabé, director do Secretariado da Pastoral Juvenil, mostrou as propostas que a igreja diocesana tem para os jovens, realçando os espaços de formação (EFATA, QAHAL, itinerário espiritual…). Muitos dos jovens animadores participavam pela primeira vez numa actividade formativa do Secretariado, pelo que este foi um momento privilegiado de divulgação das ofertas do serviço diocesano da pastoral juvenil e vocacional.
Nas comunicações dos três convidados da mesa redonda, Marta Peixoto realçou a importância dos “espaços em que apetece estar” e o correspondente contributo da arquitectura. Disse a jovem arquitecta que “até ao séc. XIX”, o ser humano adaptava o seu corpo ao trabalho e aos espaços. Hoje, deve ser o contrário. A luz, a cor, os volumes, tudo deve conjugar-se para que a pessoa se sinta bem num determinado espaço. “Mais confortáveis, tiramos melhor partido do espaço”, disse a arquitecta que elaborou o projecto da futura igreja de Azurva. Muitos dos espaços físicos eclesiais, até por terem sido construídos noutras épocas, têm de ser repensados para melhor acolherem.
José Pedro Negrão contou o seu esforço para resgatar do esquecimento músicas da época da “viola e pandeireta” [anos 70 e 80], quando as comunidades cristãs cantavam “canções do padre Zezinho, do padre Fanhais e até do Zeca Afonso”. Com o grupo “Paz Inquieta” e alunos do Colégio de N.ª Sr.ª da Assunção, este professor de EMRC e “director pastoral num colégio de religiosas”, como ele próprio se denominou, tem vindo a recolher êxitos antigos da canção-mensagem cristã, gravando alguns e publicando letras e acordes de outros.
A jornalista Sónia Neves, notando que a publicidade é “dinâmica, alegre e moderna”, qualidades que se associam e identificam os jovens, alertou para o desejo que cria nos consumidores e para o seu potencial educativo e deseducativo. “A publicidade pode não educar, mas pelo menos não devia deseducar”, disse. O uso da publicidade nos grupos de jovens acontece por duas vias: como fonte de conteúdos para reflexão e como instrumento para o grupo ir ao encontro de outros jovens ou dar a conhecer as suas actividades na comunidade em que está inserido. Sónia Neves deixou várias questões no ar para a reflexão dos animadores. “Deve-se fazer pub a Deus? E à Igreja? A publicidade positiva pode ser um novo meio de evangelização? E no grupo de jovens fazemos pub positiva ao Mestre? Ou “impingimos pub” que os jovens não percebem?”
Resumindo as três comunicações, o P.e Barnabé disse ao Correio do Vouga que “bons espaços de encontro, músicas com qualidade e comunicação e publicidade são áreas em que o Secretariado quer apostar”. J.P.F.
Animadores juvenis têm poiuca esperiência
Antecedendo o encontro do dia 14, o Secretariado da Pastoral Juvenil lançou um inquérito aos 600 animadores juvenis da Diocese de Aveiro. Responderam 150 (25%). Tânia Almeida, animadora da Trofa (Águeda), apresentou os resultados em plenário e contou ao Correio do Vouga as principais conclusões:
“Queríamos saber quantos já usam o GPS [itinerário catequético proposto pelos salesianos e assumido pela Diocese de Aveiro). Dos animadores que nos responderam,75 % já usam. Por outro lado, notámos que a maioria dos animadores tem uma experiência de apenas 2 a 5 anos. Ou seja, não têm muita experiência na animação de grupos. Notámos também que se preocupam com a sua própria formação, mas não frequentam as propostas do Secretariado, ou porque não as conhecem ou porque não têm possibilidade”.
Segundo a animadora da Trofa e colaboradora do SDPJV, o inquérito obteve mais ecos nos arciprestados de Aveiro, Ílhavo e Vagos. Com três respostas devolvidas, o de Albergaria foi o que menos respondeu. Já no encontro de sábado, Albergaria era o único arciprestado que não estava representado.
