Poço de Jacob – 11 A samaritana estranhou que Jesus lhe pedisse água e tivesse Água para dar. As suas categorias de experiência não ultrapassavam a sua vida em Sicar e as suas experiências de adultério ou talvez de prostituição. Se lhe prometia água, tinha de ter um balde. Não podia entender mais nada, pois ninguém nasce a saber e ninguém dá o que não tem. Se não tens… és um inútil… não podes dar. Assim pensam os homens que não vêm para além do seu horizonte. A oração eleva o homem a uma esfera diferente e superior, onde não existe o impossível, se for a Vontade de Deus. Rezar é saber que tudo é graça, que, como disse Deus a S. Paulo, “basta-te a minha graça”. Por isso, o sentimento negativo de frustração, fracasso, inutilidade ou incapacidade, física, motora, psicológica, cultural não se coaduna com a Fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim, porque tudo posso naquele que me conforta, como diz S Paulo, ou que “é na minha fraqueza que se manifesta a Sua força”.
Estar entrevado numa cama, relegado a ser um simples varredor de rua, um agricultor ou uma doméstica esquecida, pode trazer consigo um tesouro enorme de Graça. Não tem o que muitos tem, mas tem o que Deus lhe deu e que, na pobreza de cada um, sempre pode enriquecer alguém, ainda que seja apenas arrancando-lhe um sorriso no meio das lágrimas e da depressão. A realidade da comunhão dos santos e a certeza de que um cristão não tem actos indiferentes confortam-nos e responsabilizam-nos. A oração tem esse efeito: sentimos a força do leão na pequenez simples das pombas.
P.e Víctor Espadilha
