O Tempo é a categoria com que medimos o movimento do Ser. Aqui no Brasil, onde permaneço com a Esperança dum novo tempo, circula a piada política: “criança acredita em papai noel; vigarista faz de conta que não acredita em mensalão”. “Mensalão” que significa: luvas, subornos, percentagens: requeridas em dinheiro e influência, por corrupção político-financeira. É humor negro, branco, rosa, indígena, ETC. A vida é difícil. Deixa a vida me levar, vida leva eu (letra de samba). Entretanto, regressa o BBB 6 (Big Brother Brasil, na rede Globo, 6ªedição, com o premio de 1 milhão de reais), onde um dos integrantes, Juliana (23 anos), promotora de eventos, tem fotos publicadas na playboy; advinhamos o sucesso.
Todavia, a Esperança tem duas filhas: a indignação e a coragem. Quem o afirmou, minha memória não o confirma, foi St. Agostinho. Nos tempos em que vivemos, as filhas, coragem indignada e indignação corajosa, são indispensáveis para que a Esperança permaneça. Permanecer, um dos verbos favoritos de S. João e meu. A não ser que aceitemos que só o forte subsiste, o fraco não resiste, desiste e inexiste. O penso, logo existo, hoje é: consumo, logo existo. Dados teóricos: Os anos de 2004 e 2005 foram anos excepcionais para a economia mundial, que apresentou crescimento médio estimado em 4,7%; o maior em dois anos seguidos desde a crise de 1973 (a China tem mantido uma taxa média de crescimento económico de 9% ano, fenómeno único na história da humanidade. Portugal e Brasil, estamos óptimos, só quando comparados, respectivamente, conosco próprios!?). Não troco a Teologia pela Economia; sujeito a erros científicos, fico com a “economia da salvação” importante para a Revelação, que ninguém precisa entender o que é, quando reza o Pai Nosso com fé. Exemplo prático: CD de Rita Lee, Balacobaco, em lançamento, 35.00 reais. Promoção de ano novo, para limpeza de stock, por apenas, 9.00 reais. Comprei nas duas vezes. Na segunda, a desculpa: é para oferecer ao meu melhor amigo, e é verdade. O consumo faz-me autêntico e sincero! Como posso resistir? Infinitas coisas que eu não necessito, maravilha do desapego!
Ontem, domingo extraordinário, rezei 6 missas (a sequência mensal dominical é: 5-3-4-4, em média mais uma, menos uma. Curiosidade de programação supra-paroquial: no natal e no dia de ano novo, graças a Deus só rezei uma missa em ambos os dias, mesmo sendo domingo! Coisa raríssima, e por contradição intrínseca sinal dos tempos…, claro que o CIC (Codex Iuris Canonici) protege-me de exageros. Será consumismo religioso? Não sei não. No fim do dia, fui capaz de telever (verbo do séc. XX, muito conjugado no séc. XXI), em deferido pela RTP Internacional, o Porto vencer o Boavista, por 1 a 0, golaço aos 22 minutos de Quaresma. Mas o Carnaval está bem aí e vai redimir tudo. Pois, deixemo-nos de fatalismos: não temos estações, chove ou não chove, mais calor ou menos calor. E esse clima é tudo, e é bom. Desde que a cerveja esteja gelada, graças ao nosso bom deus! Em 2006 nós, brasileiros, vamos ser hexa-campeões; nem que o diabo dê uma ajuda no orgulho nacional! Tudo existe um pouco antes da perfeição. O mundo é um moinho, Cervantes sabia disso muito bem! D. Quixote, e eu também, não!
