Lavadeiras regressam ao Lavadouro da Pêga

Lavam a roupa e lavam também a vida privada das vizinhas, lançam piadas brejeiras e uma ou outra vez entram em “vias de facto”, quando se sentem ofendidas. Enquanto isso, os maridos ou namorados dormem à sombra.

Este foi um dos aspectos, talvez o mais divertido, da reconstituição das vivências à volta de um lavadouro típico do início do século passado, como é o da Pêga, na freguesia da Glória (na rua da Pêga, a que vai do cruzamento do Pavilhão do Beira-Mar em direcção à Universidade, bordejando a Ria).

O Lavadouro/Fonte da Pêga completa 100 anos e a Junta de Freguesia resolveu comemorá-los no dia 10 de Maio, convidando associações culturais a reconstituírem quadros da vida da primeira metade do séc. XX. Participaram o Cénico Cantares da Ria, o Rancho Folclórico do Baixo Vouga, o Rancho Folclórico do Rio Novo do Príncipe e o Grupo Animador, Cultural e Recreativo da freguesia de Requeixo.

Esta iniciativa “corresponde a um espírito de preservar o passado”, afirmou Fernando Marques, presidente da Junta de freguesia da Glória, que adiantou que o Lavadouro sofreu obras profundas de recuperação nos anos 90 e, mais re-centemente, foi pintado. Actualmente, o Lavadouro “é utilizado por 12 a 15 pessoas”, revelou, “principalmente para lavar roupa grossa como passadeiras e cobertores”.

J.P.F.