Diáconos permanentes surgiram na diocese há 20 anos

Completam-se amanhã 20 anos sobre a ordenação dos primeiros diáconos permanentes da Diocese de Aveiro. Foi no dia 22 de Maio de 1988 que D. António Marcelino, num Domingo de Pentecostes, conferiu a nove homens casados o primeiro grau do sacramento da Ordem (os outros dois são o presbiterado e o episcopado). A Sé de Aveiro testemunhou a restauração da ordem dos diáconos, cumprindo o que o II Concílio do Vaticano estabelecera mais de duas décadas antes: “O diaconado poderá ser, para o futuro, restaurado como grau próprio e permanente da Hierarquia”.

Além de Aveiro, na altura, apenas Lisboa e Setúbal tinham diáconos permanentes. “É próprio do diácono (…) administrar solenemente o Baptismo, guardar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o Matrimónio em nome da Igreja, levar o viático aos moribundos, ler aos fiéis a Sagrada Escritura, instruir e exortar o povo (…), dirigir os ritos do funeral e da sepultura”, bem como funções administrativas e caritativas, como afirma o n.º 29 da Lumen Gentium (documento do II Concílio do Vaticano).

Actualmente, a diocese tem 28 diáconos (um deles vindo da diocese do Porto), ordenados em 1988, 1993, 1996, 1999 e 2003, encontrando-se um grupo de sete homens em preparação para a ordenação, que poderá ocorrer no próximo ano.

Dos nove diáconos ordenados em 1988, oito continuam ao serviço das paróquias e da igreja diocesana. Carlos Merendeiro, que animava pastoralmente a paróquia da Gafanha do Carmo e colaborava na Costa Nova e na Barra, faleceu em 2003. Era natural da Gafanha da Nazaré.

O Correio do Vouga falou com os oito diáconos da primeira geração e apresenta um resumo do percurso individual de 20 anos de serviço. “Serviço” é, afinal, o que significa a palavra grega “diaconia”.

Afonso Henrique Campos de Oliveira, viúvo desde 1995, tem dois filhos e três netos. Reside em Recardães. Após a ordenação, colaborou com o falecido P.e Simão, em Aguada de Baixo. Mais tarde, com o P.e João Paulo Sarabando, colaborou em Recardães, Barrô, Espinheiro e Castanheira do Vouga. Actualmente integra a equipa da Unidade Pastoral de Águeda, que dirige várias paróquias; e é vice-presidente do Centro Social e Paroquial de Recardães.

Augusto Manuel Gomes Semedo, natural da Mealhada (1936), casou em Águeda, para onde tinha ido como professor do ensino básico. Mais tarde licenciou-se em História, tornando-se professor do secundário. Tem três filhos e quatro netos. Desde sempre “ligado ao serviço dos pobres”, tem-se dedicado às Conferências Vicentinas em Águeda e ao nível da Diocese. Colabora com os padres da Unidade Pastoral de Águeda, sendo o coordenador pastoral da paróquia de Castanheira do Vouga.

Daniel Rodrigues, natural de Ariz, Moimenta da Beira (1931), jornalista de profissão, abriu a delegação do Comércio do Porto em Aveiro e foi director-adjunto do Correio do Vouga. Casado, tem três filhos e três netos. A “pastoral dos marginalizados” recebeu a sua maior dedicação como diácono. “Marginalizados” quer dizer alcoólicos, toxicodependentes, prostitutas, ciganos, presos. Actualmente colabora na paróquia da Glória e continua empenhado na pastoral das prisões.

Fernando Reis Duarte de Almeida, natural e residente em Óis da Ribeira (1934), casado, tem um filho e três netos e esteve profissionalmente ligado ao sector da reparação de automóveis. Fundou a Associação Recreativa e Cultural de Óis da Ribeira (ARCOR). Como diácono, foi “responsável paroquial” por Macieira de Alcoba e Préstimo, duas paróquias na parte serrana de Águeda, e pelo Clube Stella Maris (Apostolado do Mar). Actualmente colabora com os párocos de Requeixo e de Eirol e N.ª Sr.ª de Fátima.

João Afonso Casal, natural de Aradas (1931), reside em Vilar (Glória). É casado e tem cinco filhos e oito netos. Agricultor de profissão, quando foi ordenado teve como particular responsabilidade a promoção de grupos Cáritas nas paróquias e a ligação destes à Cáritas Diocesana, a cuja direcção pertencia. Nos últimos anos, além de colaborar na paróquia da Glória, no sector da liturgia e da pastoral social, tem colaborado com o pároco de Canelas e Fermelã.

José Joaquim Pedroso Simões, natural e residente na Gafanha da Nazaré (1950), casado, tem três filhos. Foi funcionário da Segurança Social, é professor de Educação Moral e Religiosa Católica na Mário Sacramento, secundária de Aveiro. Presidiu à Cáritas Diocesana e integrou a direcção da Cáritas nacional. Preside ao conselho fiscal da União das IPSS. Destaca-se na direcção do Clube Stella Maris (Obra do Apostolado do Mar – Gaf. da Nazaré), obra que tem como raio de acção toda a faixa marítima da diocese.

Luís Gonçalves Nunes Pelicano, natural de Aradas (1937), vive na Palhaça. Casado, tem quatro filhos e nove netos. Foi responsável pela manutenção mecânica na Vista Alegre. Diácono, teve como primeira missão a organização dos CPM (cursos de preparação para o matrimónio) na diocese. Continua ligado à pastoral familiar e colabora nas paróquias de Nariz e Palhaça. Nesta, destaca-se a sua acção no agrupamento de escuteiros e no Centro Social, onde é vice-presidente.

Manuel Fernando da Rocha Martins nasceu e reside na Gafanha da Nazaré (1938). Casado, tem quatro filhos e dois netos. Foi professor do ensino básico, destacando-se o seu trabalho como formador na alfabetização de adultos por todo o distrito. Durante 12 anos, já como diácono, dirigiu o Correio do Vouga. Actualmente integra a Comissão Diocesana de Cultura (publica, p.ex., a revista “Igreja Aveirense”) e colabora no CUFC, no Clube Stella Maris e na paróquia onde reside.