Beira-Mar 0 – Portimonense 1 O treinador que fez regressar os aveirenses ao escalão maior do futebol português rescindiu na segunda-feira, gorando a vontade dos dirigentes, que lhe propuseram uma renovação de contrato por dois anos. Afectado ou não pelo tabu criado em redor do seu técnico, os aveirenses permitiram a primeira vitória da carreira do técnico Carlos Azenha (em dez jogos) que ainda assim mantém a “lanterna vermelha”.
A circunstância – Estádio Municipal de Aveiro 2165 espectadores; Árbitro: Cosme Machado (Braga); Marcador: Ricardo Pessoa (63’).
Portimonense – A equipa de Portimão e o Beira-Mar foram os clubes promovidos à 1.ª Liga o que, segundo Leonardo Jardim, significa que são sérios candidatos à descida. Ao contrário dos aveirenses, os algarvios têm correspondido a essas expectativas, ocupando o último lugar da tabela classificativa, com apenas três vitórias… duas delas frente ao Beira-Mar. Aliás, a última vitória do Portimonense datava de 26 de Setembro ante o clube de Aveiro.
O jogo – A demissão de Leonardo Jardim torna o jogo como que secundário. Os aveirenses, eventualmente afectados pelo tabu criado pelo técnico foram incapazes de contornar o guarda-redes Ventura e a (falta de) sorte. Já o Portimonense não desperdiçou uma grande penalidade por falta clara do guarda-redes Rui Rego. A ineficácia dos atacantes auri-negros foi gritante, bem como a falta de opções no banco, o que levou à entrada de um defesa central para o lugar de ponta de lança. A vitória algarvia foi a primeira do técnico Carlos Azenha em 10 jogos (uma vitória, dois empates e sete derrotas) e confere-lhe um pequeno balão de oxigénio na fuga aos lugares de descida.
Leonardo Jardim: “A equipa não concretizou oito oportunidades claras para marcar, uma delas, a de Wang, até com alguma graça. Criámos, construímos, mas não vencemos. O resultado é muito injusto; o Portimonense teve um remate à nossa baliza na primeira parte e pouco mais. É por isto que o futebol tem graça”.
A demissão – Com contrato até final da época, a recém-empossada direcção procurou manter o jovem técnico nos seus quadros propondo uma renovação de contrato por mais duas temporadas e com melhoria salarial. Leonardo Jardim prometeu uma resposta para o início da semana seguinte. Entretanto surgiram rumores que estaria na calha para substituir Domingos no comando técnico do Braga, como trampolim para outros voos (Porto). Uma barbaridade, segundo Pinto da Costa. Segue-se a derrota com o Portimonense. No dia seguinte, técnico e direcção acordam a rescisão imediata do contrato, para que as duas partes preparem antecipadamente o seu futuro.
Uma questão de objectivos – Numa altura em que a manutenção é uma questão apenas matemática, poder-se-ia supor que o Beira-Mar iria procurar alcançar uma classificação histórica, talvez até atacando lugares europeus. Puro engano! As transferências de Kanu e agora de Ronny para um clube da 2.ª divisão chinesa revelaram bem que a ambição do clube é a sobrevivência, nem que isso signifique ter que refazer um plantel inteiro e com outro treinador se calhar não tão capaz. Já diz o ditado “quem nasceu burro nunca há-de ser cavalo”!
Nuno Caniço
Em discurso directo
Leonardo Jardim, treinador: “Não aceitei a proposta para renovar e decidi não ficar até final da época. Deste modo, o clube pode preparar o futuro, tal como eu. Julgo ser a melhor opção para ambas as partes. Não sou pessoa de demagogias e filosofias, sou pessoa de trabalho e projectos e ficar por dois meses não fazia sentido. Esta decisão não está relacionada com o futuro da minha carreira. Não tenho proposta de nenhum clube e quem me quiser contratar até final da temporada tem, primeiro, que se entender com o Beira-Mar”.
António Regala, presidente da direcção do Beira-Mar: “Não tendo sido possível encontrar outra solução, a saída acontece de uma forma cordial e cordata, aliás, como sempre foram as nossas relações. Preferimos assim, para não corrermos o risco de as coisas se deteriorem no futuro. Vamos procurar um novo técnico, que queremos que assuma já, por forma a terminar a época e preparar a próxima”.
